Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 28/07/2021

Conforme a primeira lei de Newton, um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele, mudando-o de percurso. Nessa perspectiva, em alusão ao corpo social brasileiro, ainda que a cultura do cancelamento resulte no prejuízo social e financeiro da pessoa, todavia existem obstáculos a serem superados, uma vez que a Internet possibilita o discurso anônimo. Com isso, ao invés de funcionar como a força capaz de reverter essa situação, os desafios a respeito do julgamento sem leis, bem como a priorização do individualismo acaba por contribuir com a situação atual.

Em primeira análise, para a socióloga Hannah Arendt, o mal banal se caracteriza pela ausência de pensamento, submetendo-se a uma lógica externa que não percebe a culpa nos atos que pratica. Diante disso, percebe-se que a sociedade, em conjunto à má influência da mídia contribui com os julgamentos, uma vez que a Internet é desprovida de lei, podendo gerar o cancelamento de uma pessoa. A princípio, esse termo surge como uma forma de punir, criticar e dar visibilidade para questões que não são consideradas adequadas. Por isso, cabe ao Estado tomar medidas para alterar esse comportamento, haja vista que qualquer pessoa está sujeita ao erro, e isso não pode fazer dela uma pessoa ruim ou vítima de um ato injusto.

Sob um segundo enfoque, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, as relações sociais tendem a ser menos douradoras e frequentes, de modo que o individualismo é priorizado. Dessa forma, tendo em vista que as redes socias validam e julgam as pessoas, tem-se como exemplo a cantora Karol, que por impor pressão psicológica sobre alguns participantes do reality BBB 2020, teve sua trajetória alterada. Com isso, é notório que a reputação de uma pessoa pode ser complemente afetada, gerando o discurso de ódio, perda de seguidores e até mesmo patrocínios. Logo, cabe à lei cumprir o dever de punir, sem que haja uma sobreposição de poder.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que realizem a mudança do percurso. Para isso, urge que o Ministério da Justiça crie, por meio de verbas governamentais, projetos no Comitê de Segurança, sendo administrados por profissionais da informática, para que a mídia seja avaliada e monitorada, a fim de garantir a perda da conta pessoal, caso a pessoa contribua no julgamento de outra. Além disso, o projeto deve conter com publicidades de conscientização, para que a sociedade se coloque no lugar do outro. Somente assim, será possível a mudança do percurso, de modo que garanta uma perspectiva de mundo melhor.