Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 26/07/2021

A 21ª edição do reality show Big Brother Brasil ficou conhecida como a temporada do cancelamento - termo muito comentado no mundo online que resume-se em alguém ser reprimido com críticas massivas por um grande grupo de pessoas após um ato ou fala que teve repercussão negativa. Assim, um dos participantes mais célebres do programa citado, Gil do Vigor, sintetizou em uma frase, com muito bom humor, o que seria o comportamento de uma pessoa que “cancela” outra: “Eles ditam quem é certo e errado, o que pode e o que não pode (…) Quando chegar no céu não vai ter Deus pra julgar não, vão ser eles…”.  O economista critica em tom satírico seus colegas de tela que reproduzem condutas presentes na cultura do cancelamento. Então, será mesmo o cancelamento uma boa forma de lidar com atitudes questionáveis  dos indivíduos na sociedade contemporânea?

A principio convém dizer que é esperado que diferentes pessoas pensem de maneira distintas por inúmeras razões e, por isso, é comum que em um local como a casa do BBB existam debates acerca dos mais variados tópicos. No entanto, é notável que, especialmente no ambiente cibernético, os usuários estão cada vez mais intolerantes a qualquer ideia problemática e busca, das mais diversas formas, punir aquele que está em desunião com o que você acredita ser correto.

Em concordância com o pensamento do filósofo, professor e escritor espanhol Adolfo Sánchez Vázquez que defende que o aumento da frequência de um determinado evento ocasionaria, erroneamente, sua naturalização, observa-se cada vez mais esse linchamento virtual e eventualmente, a normalização dele.  Consoantemente a isso, é necessário muito cuidado para que esses episódios de repressão não sejam naturalizados a medida que são mais recorrentes.

Portanto, mediante ao exposto, vê-se que o cancelamento é uma forma agressiva e pouco edificante de apontar erros. A educação e a conscientização são, pois, melhores saídas para enfrentar essas situações. Sendo assim, objetivando a criação de um ambiente virtual que instrua mais e julgue menos, é imprescindível que as grandes mídias sociais forneçam debates saudáveis e educativos acerca do tema discutido através de fóruns públicos. Esses espaços podem contar com a presença de educadores, políticos e palestrantes que colaborarem ainda mais na discussão fundamentada em um senso crítico e que possam ser levadas para além do meio online. Somente assim, o cancelamento tão recorrente na web será desnaturalizado, conforme delineado por Vázquez.