Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 01/08/2021
O filme “Até que a sorte nos separe II” conta a história de um homem atrapalhado que causa a falência de uma grande empresa. Como consequência disso, uma organização internacional envia uma agente para fazer uma auditoria que pode culminar com o “cancelamento” do Brasil do mundo da economia. Fora da ficção, a cultura do cancelamento é uma realidade perigosa capaz de levar à ruína uma pessoa ou instituição, sem direito ao contraditório, o que precisa ser combatido.
Inicialmente, cumpre destacar que o desenvolvimento das tecnologias da informação fez surgir inúmeros perigos até pouco tempo impensáveis, como a exposição instantânea da imagem de uma pessoa. Nesse sentido, é salutar trazer à discussão a ideia de sociedade líquida, do filósofo Zygmunt Bauman. Para o renomado estudioso, as ralações humanas ocorrem, na atualidade, com uma rapidez nunca vista antes. Assim sendo, no caso de uma campanha pelo cancelamento de uma pessoa, ela poderá ser arruinada de forma instantânea, sem direito de defesa.
Além disso, a prática objeto do presente debate, quando desprovida de qualquer compromisso com a verdade, pode levar à falência de uma organização, expondo assim todos que dependem dela para sobreviver. Nesse ínterim, o portal UOL afirma que tal cultura tem o potencial de atingir uma grande empresa, pois expõe de maneira negativa sua marca. Dessa forma, esse verdadeiro linchamento virtual, embora aponte para um alvo individual, acaba contribuindo para o surgimento de problemas sociais coletivos no âmbito econômico.
Portanto, é preciso mudar essa cultura. Para isso, o Ministério da Educação deve proporcionar a conscientização dos riscos que essa prática envolve, por meio de palestras nas escolas, objetivando promover uma reflexão sobre as consequências do cancelamento de alguém nas redes sociais. Com essa medida, as pessoas poderão voltar a ter o direito de errar e não serem linchadas sem prévio direito de defesa.