Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/07/2021
Com a consolidação da revolução tecnológica, no século XX, tornou-se possível o desenvolvimento de novas tecnologias que permitiram o advento do mundo virtual e o surgimento das redes sociais. Entretanto, essas inovações não trouxeram somente benefícios a humanidade, posto que são usadas na atualidade por indivíduos para boicotar outros sujeitos com pensamentos diferentes, ou que cometam ações malvistas socialmente. Desse modo, tanto o ferimento da liberdade de expressão quanto a falta de empatia no meio virtual, são empecilhos voltados à atual cultura do cancelamento.
Em primeiro lugar, o pensador francês Voltaire defendia que todas as pessoas devem ter o direito de se expressarem livremente, independentemente dos pontos de vistas defendidos. No entanto, o cancelamento praticado nas redes sociais fere o direito que os cidadãos possuem de opinar definido pelo filósofo, pois muitos sujeitos por terem pensamentos diferentes são atacados no mundo virtual, como o ocorrido com a cantora Karol Conká, que segundo o portal de notícias G1, foi boicotada nas redes sociais após seus posicionamentos no programa Big Brother Brasil. Dessa maneira, demonstra-se que o ambiente virtual não possui uma liberdade definitiva de expressão, porque muitos cidadãos são oprimidos por exporem suas ideias na internet.
Ademais, o filósofo polonês Zygmunt Bauman definia que na atualidade a sociedade passa por relações líquidas, posto que o mundo digital diminuiu a solidez dos vínculos entre os indivíduos. Assim, surge a falta de empatia na esfera virtual, uma vez que muitos indivíduos não entendem que há diferentes pontos de vista, já que estão presos ao individualismo, e isso promove conflitos entre cidadãos que pensam diferente nas redes sociais, visto que esses não compreendem o afeto presente no ato de respeitar a expressão de diferentes ideologias. Dessa forma, o cancelamento é uma consequência do surgimento das tecnologias digitais, em razão dessas tornarem as relações líquidas segundo o filósofo contemporâneo.
Portanto, a fim de combater a cultura do cancelamento, precisa o Ministério da Educação, por meio de normas, instaurar no ensino brasileiro o debate sobre os direitos de expressão que os cidadãos possuem, dado que assim os indivíduos compreenderão que todos podem expor suas opiniões no meio digital. Além do mais, é necessário que o mesmo Ministério, em parceria com a SECOM, crie publicidades em meio digital e analógico, que conscientizem os brasileiros a respeito da empatia que se deve ter nas redes sociais, para que aceitem os diferentes pontos de vista. Logo, o cancelamento reduzirá, porquanto os sujeitos terão conhecimento do direito de divulgar posicionamentos e da empatia que se necessita ter nas redes sociais.