Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 13/08/2021

De acordo com o filósofo Friedrich Hegel, o Estado deve proteger os seus “filhos”. Tal ideia, no entanto, encontra barreiras para ser efetuada, sobretudo, no Brasil, em que o exagero no cancelamento e a falta de oportunidades para a reparação do erro vêm se tornando cada vez mais comuns.

Nessa lógica, observa-se, primeiramente, que o ódio exacerbado que as vítimas recebem, afetam não só, os próprios, como também, seus familiares. No documentário “A vida depois do tombo”, original Globoplay, Karol Conká fala sobre a sua trajetória durante e após a 21ª edição do reality “Big Brother Brasil” onde a mesma saiu com 99,17% de rejeição, maior porcentagem da história do programa. A cantora conta que ela e a família, incluindo o filho de 11 anos, receberam inúmeras ameaças, inclusive de morte. Em suma, esse excesso de fúria só faz mal para a saúde mental, e em piores casos, física, de todos os envolvidos e não gera um aprendizado verdadeiro para o cancelado, somente traumas.

Vale ressaltar, também, que o cancelamento só é efetivo quando os atingidos conseguem refletir e aprender com seus erros, o que não está acontecendo atualmente. “Define-se uma pessoa inteira pelo seu pior momento, e não se possibilita uma chance de reparação do erro”, segundo o psiquiatra Galiano Brazuna, para o G1. Logo, cancelamento sem a possibilidade do envolvido evoluir ou ser perdoado futuramente, se torna inútil e negativo em todos os cenários.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de reverter o cenário atual. Para isso, compete ao governo alertar a população sobre o perigo do ódio demasiado. Essa ação deve ser feita por meio de parcerias com os principais veículos de comunicação, uma vez que estes iriam divulgar as campanhas com o objetivo de alcançar o maior número possível de pessoas. Dessa forma, o Estado poderá, finalmente, proteger os seus filhos, assim como propôs Hegel.