Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/09/2021

Com a chegada da internet ao Brasil em 1988, seguida pela criação de redes sociais como o Facebook e o Twitter, houve uma mudança no campo da interação social, além do surgimento de um novo ambiente de debates. Tal inovação proporcionou a diversos grupos uma oportunidade para ampliar suas lutas e a busca por justiça social. Entretanto, trazendo o ponto de vista do filósofo Rousseau “o homem nasce bom, mas por toda parte encontra-se a ferros”, aquela sofreu modificações, o que acarretou consequências graves à sociedade contemporânea, a saber, a cultura do cancelamento, que necessita ser debatido. Nesse sentido, cabe analisar os porquês dessa problemática, a fim de saná-los.

Nesse viés, é sabido que pela pressão social na internet, muitas pessoas comportam-se de maneira a não serem canceladas, Em vista disso, o termo “panóptico”, criado pelo filósofo inglês Jeremy Bentham, aplica-se neste contexto, no qual em uma cadeia idealizada os detentos ageriam corretamente pelo medo constante de estarem sendo vigiados. Da mesma forma, famosos e anônimos regulam suas falas e atos nas redes sociais pelo medo do cancelamento e das consequências advindas disso. O que leva a situações em que os indivíduos não agem de forma socialmente aceita por concordar com a situações, mas por comodismo.

Ademais,  o cancelamento na internet, em determinadas situações, não tem o efeito esperado, a reeducação do cancelado, ocorrendo apenas um linchamento virtual. Tal conjectura vai de encontro à base da sociedade atual brasileira, a educação, visto que apenas cancelar um indivíduo, sem trazer algum ensinamento, reflexões ou justificativas da situação, não proporciona mudanças reais.

Portanto, torna-se fundamental debater sobre a cultura do cancelamento e suas consequências na sociedade atual. Logo, cabe ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Informações criar campanhas alertando dos riscos de um cancelamento virtual imprudente. por meio de publicações nas redes sociais, nos  canais televisivos e nas rádios, com intuito de reforçar que ações de julgamentos que não levam em consideração se o ato criticado realmento ocorreu ou trata-se de uma fake news, quais medidas legais são cabíveis e se houve uma tentativa de reeducar o cancelado, não acaretam mudanças reais na sociedade. Desse modo, é possível que o cancelamento virtual seja utilizado para realmente trazer mudanças benéficas à sociedade.