Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 04/08/2021

Karol Conká, cantora Rapper e ex-participante do BBB21, teve sua vida e sua carreira “canceladas” em decorrência de suas atitudes dentro do reality. Este acontecimento encontra ecos no Brasil contemporâneo, uma vez que a cultura do cancelamento está fortemente inserida na sociedade desde 2019. Entretanto, este ato surgiu como uma forma de chamar atenção às injustiças da sociedade, de maneira a amplificar a voz dos grupos oprimidos e forçar um posicionamento de figuras públicas, para justiças sociais, por exemplo. Nesse contexto é imprescindível ressaltar as causas e consequências dessa problemática.

Diante desse cenário, é necessário compreender as causas dessa nova cultura em pauta na sociedade contemporânea. Nesse contexto, a cultura do cancelamento ocorre quando o “tribunal da internet” se sente no direito de julgar (cancelar) uma determinada pessoa que, na visão destes internautas, tenha feito algo de errado, forçando um posicionamento para que este ato incorreto seja justificado. Com a união dessas ações é possível pensar no filósofo Michel Foucault, o qual define a Microfísica do poder: “O poder está concentrado na rede que liga todos os indivíduos de um grupo por meio de saberes e discursos”. Sendo assim, é preciso refletir sobre a propagação dessa cultura.

Outra questão, relevante nesse debate, é o fato de que a cultura do cancelamento pode ocasionar inúmeras consequências. Entre elas, a propagação da violência e discurso de ódio, como ameaças aos cancelados e aos seus familiares, sem mencionar a humilhação pública e a perda de dinheiro, uma vez que esses cancelamentos interferem na imagem dessas figuras públicas, trazendo perda de contratos. Na maioria das vezes, esses cancelados não têm nem o direito de tentar se redimir e recomeçar. Com isso, a cultura do cancelamento acaba interferindo na vida pessoal dessas pessoas, podendo causar-lhes depressões e ansiedades.

Destarte, é crucial promover ações para reverter o cenário da cultura do cancelamento no Brasil. Logo, cabe portanto, ao Poder Público o dever de promover propagandas nas televisões a fim de que essa cultura não seja mais intensificada. Paralelamente, cabe aos influênciadores a tarefa de compartilharem em suas redes sociais com o incentivo ao diálogo, com posts sobre o assunto. Espera-se, dessa forma, que os brasileiros possam aprender com os seus erros e serem assim, mais empáticos.