Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 06/08/2021
Em meados de 2017, o termo “cancelamento” surgiu para nomear a prática virtual de boicote a personalidades que tenham dito ou feito algo considerado moralmente errado pelos padrões impostos por determinado grupo na internet. Todavia, devido às notícias falsas, a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea se tornou uma grave ameaça para todos os cidadãos brasileiros. À luz desse enfoque, torna-se essencial debater que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental acerca das notícias sensacionalistas e falsas e seus efeitos no espectro brasileiro. Nesse viés, consoante à concepção do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Cidadania tornou-se uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante às ações e políticas públicas. Isso é perceptível, lamentavelmente, pela carência de campanhas de conscientização acerca da necessidade de se combater informações inverídicas, o que tem como sequela a catalise da cultura do cancelamento. Isso posto, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e cerceia as vítimas de cancelamento por referências inverídicas a uma realidade de marginalização social.
Além dessa mácula governamental, também é preocupante, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social quanto a cultura do cancelamento. De certo, mediante aos dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma verossimilhança entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros banalizaram a invalidação de indivíduos baseada em suposições, o que fez esse fenômeno patológico aumentar em larga escala nas redes sociais .À vista disso, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, a cultura do cancelamento será normalizada e pessoas continuarão a serem excluídas, injustamente, do convívio sociocultural.
Assim, tendo em vista as fundações desse revés, urge que o Ministério da Cidadania faça campanhas de conscientização acerca da importância de se combater as notícias sensacionalistas e a cultura de cancelamento, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia. Espera-se, com isso, que a cultura do cancelamento não seja mais uma ameaça a todos os cidadãos brasileiros.