Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 09/08/2021

Desde o Iluminismo, entende-se que a sociedade só progride quando um solidariza-se com o outro. No entanto, quando se observa a cultura do cancelamento nas redes mundiais, principalmente na realidade brasileira, mostra-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não na prática. Nesse contexto, tornam-se evidentes, como causas, tanto a falta de empatia quanto a ausência de debates relacionados a temática.

Em primeira análise, o comportamento antipático caracteriza-se como complexo dificultador. Segundo a Obra “Modernidade Líquida”, do sociólogo Bauman, a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. Nesse prisma, a tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica, no que tange o cancelamento como cultura social. Nessa perspectiva, evidencia-se a individualidade do corpo social, visto que o cidadão perpétua ataques de julgamento com o próximo, através de redes sociais e sem prestar nenhuma ajuda, como forma de solidariedade.

Ademais, é fundamental pontuar a falta de debates sobre o cancelamento. Conforme o filósofo Habermas, a linguagem e a comunicação, caracterizam-se como ação comunicativa, que é a chave para a resolução de qualquer problema na população, bem como a cultura de cancelar um indivíduo por uma ação considerada errada pela comunidade virtual. Nesse sentido, nota-se a escassa abordagem sobre o assunto, haja visto que os julgamentos continuam na internet, em que uma única ação influencia diversas pessoas a terem um comportamento julgativo.

Portanto, é evidente a necessidade de medidas que venham conter os julgamentos online. Sendo assim, cabe a Mídia promover mecanismos sociais, como por exemplo, campanhas publicitárias e debates que abordem esse assunto pertinente, em que mostrem ao povo brasileiro como se comportar de forma empática perante a população, tal ação deve ser feita por meio das redes sociais, como o Instagram e o Facebook, com a finalidade de instruir as pessoas a lidarem de forma compreensiva.