Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 11/08/2021
O termo “cancelamento” começou a se popularizar no meio virtual nos últimos anos e recentemente, no reality show “Big Brother Brasil”, a cantora Karol Conká sofreu com o cancelamento em massa por ter feito tortura psicológica com um companheiro de reality. É evidente que essa problemática acontece porque as pessoas acreditam que precisam punir as outras pelos seus atos, porém esquecem das consequências que podem gerar na vida dos “cancelados”. Como agravamento das consequências citadas, a questão dos problemas na saúde mental e a falta de punição por meios legais para crimes feitos nas redes sociais.
Primeiramente, é importante destacar que a internet é o principal meio em que acontecem os cancelamentos de artistas, porém isso já está ultrapassando os limites virtuais e se tornando algo do cotidiano dos jovens e adolescentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é a doença que mais afeta os jovens na faixa etária de 10 a 19 anos, isso pode se agravar com os julgamentos que acontecem através do cancelamento entre eles.
Além disso, a falta de punição para aqueles que cometem crimes como racismo e cyberbullying também aumentam esse impasse, pois algumas pessoas sentem a necessidade de se impor perante a ineficácia da justiça brasileira em relação a delitos ocorridos na internet, o descaso é tão grande que os infratores pensam que podem dizer e fazer o que quiserem através de um perfil anônimo nas mídias sociais.
Portanto, a problemática desse assunto é o fato das pessoas julgarem tanto as outras como se não errassem como elas, como se fossem totalmente desconstruídas e isentas de qualquer defeito, o que é impossível. O Ministério da Saúde precisa promover campanhas sobre a saúde mental, com a finalidade de ajudar pessoas que sofreram com o linchamento virtual. Também é de urgência que o Poder Judiciário - órgão governamental responsável pela aplicação de leis - comece a punir mais rigidamente aqueles que cometem crimes reais nos meios digitais, para que as pessoas parem de fazer essa função que não cabe a elas.