Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 13/08/2021

Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, instrumentos que surgem para fortalecer a democracia não devem ser convertidos em mecanismos de opressão. Sob essa lógica, a atual realidade vivida pelo Brasil contraria esse pensamento, pois a internet, ferramenta que surgiu para tornar o acesso a informação e comunicação democrático, sofre com a questão da cultura do cancelamento. Deste modo, é necessário promover uma análise a fim de encontra soluções, o que será possível a partir do entendimento da negligência governamental, bem como seus efeitos.

É primordial ressaltar, primeiramente, que o descaso governamental é o que contribui para a continuidade do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, filósofo polonês, em sua obra ‘‘Globalização e as consequências humanas’’, a sociedade caminha para uma desordem mundial, causada, sobretudo, pela falta de controle do Estado. Nesse contexto, o governo anda em direção contrária do seu dever de manter a ordem na sociedade, ou seja, negligencia as suas obrigações de solucionar quaisquer problema. Dessa forma, o Estado trata com descaso a necessidade de ampliar medidas públicas, como a criação de leis que penalizem aqueles que contribuírem para a cultura do cancelamento e infringirem a integridade e saúde mental dos cancelados.

Como efeito disso, a cultura do cancelamento pode devastar a vida de quem foi cancelado. No ano de 2020, a cantora Luísa Sonza sofreu diversos ataques após ser acusada de uma suposta traição, que apesar de nunca ter sido provada, a cantora foi cancelada e linchada virtualmente por algo que meses depois foi afirmado pelo antigo parceiro nunca ter acontecido. Em consequência disso, a cantora desenvolveu um quadro sério de depressão e síndrome de pânico. Nesse viés, as pessoas não se importam com a veracidade do que o cancelado foi acusado, o único objetivo é julgar e cancelar as supostas atitudes. Portanto, é necessário que o Estado crie medidas que penalizem quem desrespeitar a integridade mental ou até mesmo fisíca das pessoas.

Dessarte, é de extrema urgência que a cultura do cancelamento seja solucionada. Logo, cabe ao Poder Público, responsável por garantir a prática da cidadania nacional, desenvolver leis voltadas especificamente para a questão de cancelar pessoas, por meio do debate no plenário, com a finalidade de que essa cultura não seja mais intensificada. Ademais, o Poder Público, junto à mídia, deve desenvolver campanhas com o intuito de conscientizar a sociedade acerca da responsabilidade de suas falas e atitudes, por meio de propagandas na televisão e nas redes sociais. Assim, espera-se que o conceito estabelecido por Pierre Boudieu seja seguido efetivamente.