Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/08/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.

Mormente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a disseminação desenfreada de informações “fakes” e ataques virtuais levando à propagação do ódio na sociedade. Nessa conjuntura,  Otto Von Bismarck, estadista mais importante da Alemanha do século XIX, afirmou que o Estado deve garantir o bem-estar social da população. Nesse sentido, na medida em que existem pessoas vivendo em situações sem o mínimo dos direitos sociais efetivados, como a liberdade e segurança, obeserva-se nesse ponto a falha grotesca dessa função do Poder Público, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar que uma grande parcela da população se mostra alienada. O entiluado “Paradoxo da Moral” é um livro escrito pelo musicólogo Vladimir Jankélévitch para exemplificar a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade das pessoas frente aos impasses enfrentados. Similarmente, percebe-se que a cultura do cancelamento encontra um forte alicerce na estagnação social. Essa situação ocorre porque infelizmente, a sociedade não se movimenta em prol da erradicação desse estorvo, pelo contrário, ela adquire uma posição individualista por não mensurar as consequências e impactos que podem gerar em um indivíduo cancelado como doenças psicológicas e prejuízo financeiro. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Logo, o Ministério da Educação deve promover uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto e que tenham os alunos do ensino médio como público-alvo. Essa ação deverá ser compartilhada na rede social do Ministério no formato de “Live”, a fim de trazer mais clareza à respeito da cultura do cancelamento e atingir um público maior. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela infiltração dos elementos elencados na Magna Carta.