Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 15/08/2021

De acordo com o filósofo Friedrich Hegel, o Estado deve proteger os seus “filhos”. Tal ideia, no entanto, encontra barreiras para ser efetuada, sobretudo, no Brasil, em que a cultura do cancelamento vem prejudicando cada vez mais pessoas. Logo, se torna imprescindível que o exagero no cancelamento e a falta de oportunidades para a reparação do erro acabem.

Nessa lógica, observa-se, primeiramente, que o ódio exacerbado que as vítimas recebem afetam não só os próprios, como também seus familiares. No documentário “A vida depois do tombo”, original Globoplay, Karol Conká conta que após sair com a maior rejeição da história do reality “Big Brother Brasil”, não somente ela, mas também sua família, incluindo o filho de 11 anos, receberam inúmeras ameaças, inclusive de morte na Internet, que muitos utilizam como se fosse uma “terra sem lei”. Dado o exposto, é notório que esse excesso de fúria só traz malefícios para a saúde mental de todos os envolvidos e não gera um aprendizado verdadeiro para o cancelado, somente traumas.

Vale ressaltar, também, que o cancelamento só é efetivo quando os atingidos conseguem refletir e aprender com seus erros, com debates propostos pela mídia, por exemplo, porém não é o que está acontecendo atualmente. “Define-se uma pessoa inteira pelo seu pior momento, e não se possibilita uma chance de reparação do erro”, segundo o psiquiatra Galiano Brazuna, para o G1. Diante disso, cancelamento movido somente pelo ódio, sem a possibilidade do indivíduo evoluir ou ser perdoado futuramente torna-se inútil e negativo em todos os cenários.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de reverter o cenário atual. Para isso, compete ao governo alertar a população sobre o perigo do ódio demasiado, e também propor debates sobre o que seria um cancelamento saudável. Essas ações devem ser feitas por meio de parcerias com os principais veículos de comunicação online, uma vez que estes iriam divulgar as campanhas com o objetivo de alcançar o maior número possível de pessoas e reforçar que, ao contrário do senso comum, a Internet tem leis. Dessa forma, o Estado poderá, finalmente, proteger os seus filhos, assim como propôs Hegel.