Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 18/08/2021

Após a pandemia de 2020, a maioria da população brasileira voltou para os meios digitais. Com as proibições de circulação e fechamento do comércio ocorrendo, o mundo digital se transforma em um dos únicos meios de contato social possível. As mídias sociais se converteram em uma extensão da vida das pessoas na sociedade contemporânea e junto a essa realidade, surgiram avaliações, os julgamentos de erros e o conceito de cancelamento.

Na edição do Big Brother Brasil de 2020 toda a atenção dos telespectadores se voltaram para uma cantora que manifestou atitudes humilhantes com alguns dos integrantes da “realidade”, manipulou e formou hipóteses vergonhosas, isso tudo, na tentativa de tirar proveito de sua carreira no programa . Entretanto, sua imagem foi parar na lama. A arrogância da garota fez com que a direita e esquerda se juntassem com uma convicção de cancelar uma moça.

Os comerciantes, na semana da eliminação da cantora, se utilizaram da imagem negativa da garota e realizaram promoções e deram descontos associados a porcentagem de votos solicitados para a eliminação da mesma. A rejeição foi imensa atingindo quase cem procento dos votos, registrando a maior taxa de negação a uma participante na história do programa no Brasil. Foi cancelada!

De contratos rescindidos à perda de muitos seguidores, nas redes sociais, insultos, xingamentos, uma verdadeira caça a bruxa. Essa condição remete um filme chamado Expurgo. Nele, as pessoas eram permitidas uma noite por ano cometerem crimes sem serem penalizadas.

Um mês depois já não se ouvia falar nada dela e a cultura do cancelamento chegou a ser discutida e exposta, mas segue sem limites, fazendo novos cancelados e sendo um exemplo de como não devemos agir com o próximo.

A cultura do cancelamento deixa explícito a não solução do problema e a repetição da ação de tentar jogar para o “limbo do mundo”, pessoas que cometem falhas em nosso meio social. O Estado pode, através da comunicação não violenta, desenvolver mecanismos de conscientização como cursos e rodas de conversas em ambientes escolares e de saúde a fim de esclarecer que tais atitudes levam a depressões e suicídios, formando base de conhecimento para uma sociedade mais acolhedora e justa . Engajando crianças, jovens, adultos e idosos na visualização de atitudes positivas frente aos erros dos outros na busca do ressignificado das hipóteses vivenciadas com clareza e honestidade à condição do ser humano biopissicosocial em sua integralidade dentro da coletividade.