Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 24/08/2021

O termo “cancelamento”, que é concernente à rejeição massiva por parte de muitas pessoas contra somente um indivíduo, tem se tornado cada vez mais comum na sociedade contemporânea brasileira. No programa televisivo “Big Brother Brasil 21”, por exemplo, a participante Karol Conká, em função de atitudes que desagradaram os telespectadores, precisou lidar com a rejeição após deixar o reality. Todavia, a mesma enfatiza que mesmo após meses do término da atração, o ódio da população persiste afetando o seu psicológico e sua vida pessoal, restringindo-a de realizar até mesmo atividades corriqueiras, como ir à padaria. Com base neste exemplo, torna-se evidente, portanto, que o cancelamento reprime as liberdades individuais das vítimas, além de afligir a saúde mental destas.

Mormente, o argumento do físico Albert Einstein — “Tornou-se aterradoramente claro que a tecnologia ultrapassou a nossa humanidade” — ilustra o modo pelo qual o ser humano foi afetado pela globalização dos meios de comunicação. Em detrimento da rapidez do fluxo de informações no mundo tecnológico atual, a realização de complôs que tem por fito punir alguém por algum erro do presente ou do passado se tornou muito mais fácil. Contudo, além de desumana e cruel — já que a vítima não tem chance de se defender —, essa atitude é incoerente, porque parte do pressuposto de que as pessoas são incapazes de aprender com os erros e evoluir.

Ademais, o anônimato proporcionado pelas redes sociais, veículos nos quais o problema é mais acentuado, é uma das razões por que o problema persiste, posto que, dessa forma, os agressores se sentem mais confortáveis para tecerem comentários de quaisquer natureza, não se importando com as consequências. Aliado a isso, não há leis que protejam a integridade da vítima e tampouco que punam os perpetradores da prática, além de que, por ter surgido há pouco tempo, a maior parte da população não tem lucidez suficiente sobre os efeitos do ato de cancelar alguém.

Desse modo, fica claro que a alternativa mais eficiente para a resolução do problema diz respeito à conscientização da sociedade. Assim, cabe aos artistas, às celebridades e aos influenciadores digitais brasileiros a disseminação de vídeos que elucidem os males da cultura do cancelamento. É fundamental que essas publicações sejam feitas nos principais meios de comunicação, tais como podcasts e redes sociais, de forma a alcançar o maior número de pessoas possível. Ademais, é importante que atos de violência psicológica, como ameaças de morte e de ataque, como os que a cantora Karol Conká está sofrendo, sejam devidamente punidos por leis. Por isso, é de responsabilidade do Poder Legislativo do Brasil a criação dessas como forma de atenuar a situação.