Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 15/09/2021
O escritor francês Guy Debord via que a sociedade estava evoluindo para se tornar espectadora de sua própria tragédia, a que chamou de “sociedade do espetáculo”. Assim, a população poderá tornar-se vítima do consumismo e da crítica infundada de uma maioria, pois não existe empatia nessa relação, e sim o caráter julgador e imparcial de um grupo. Nesse sentido, tal premissa se faz presente no cenário brasileiro, uma vez que a cultura do cancelamento é uma questão recorrente. Ademais, tornou-se uma grande problemática, que em virtude da vertente do politicamente correto, atrelado a liquidez das redes sociais, tem provocado brechas para a realização de discursos de ódio.
Em primeiro plano, vale ressaltar que uma sociedade gerida por regras inconsistentes, promovidas por grupos genéricos, é um dos agravadores do entrave. Nesse sentido, é imprescindível destacar um dos estudos do psiquiatra Sigmund Freud, chamado “psicologia das massas”, por que segundo ele, existe na sociedade um elaçamento sobre a identificação de um grupo em relação a um líder. O que traz a tona uma cultura justiceira e infame estabelecida nas redes sociais, a qual não possui um senso crítico singular, mas apenas os índices apontados pelo coletivo. Desse modo, é preocupante as proporções que essas ações podem tomar, podendo vez ou outra atingir alguém frágil que busca na internet uma forma de lutar contra algum problema, seja ele qual for.
Consequentemente, a acessibilidade das redes sociais são ideais para as mais diversas formas de propagação de ideologias e ações. Todavia, assim como mostra o documentário “Dilema das Redes”, o mundo virtual pode ser utilizado exclusivamente como forma de monetização, deixando de lado a preocupação e sensibilidade para com o próximo. Ademais, o tema abordado também participa integralmente desse conjunto, pois de maneira análoga, os alogorítmos de pesquisa induzem as ações de outrem, tendo sua fluidez explorada por pequenos grupos que sondam o mundo virtual, e provocam o descontrole das ações individuais, que mesmo inicialmente bem intecionadas, acabam sucumbindo as graças daqueles que conscientemente manipulam o algoritmo para benefício próprio.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas que atenuem essa problemática. Logo, cabe ao governo, por intermédio do Ministério da Educação - órgão responsável pela elaboração das políticas educacionais de todo país - preocupar-se com a capacidade da população tomar boas decisões, através do pensamento crítico. Visto que, essa é uma das principais formas de evitar que as pessoas caiam em armadilhas sociais. Desse modo, é necessário implementar nas grades escolares, uma intensiva seleção de conteúdos que estimulem tal processo cognitivo. Feito isso, a população poderá ser coadjuvante de sua tragetória, e não espectadora da própria tragédia.