Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/08/2021
A série “Control Z”, produzida em 2019, apresenta as mudanças das relações sociais de um grupo de estudantes, após um “hacker” divulgar informações pessoais desses jovens. Nessa produção, após a exposição dos segredos, os alunos sofrem com a cultura do cancelamento, uma vez que são excluídos e julgados pelos demais colegas. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o cenário apresentado na ficção se assemelha ao vivenciado pelo corpo social, tendo em vista que os indivíduos são constantemente alvos de um julgamento e, consequentemente, cancelados. Nesse viés, essa prática traz impactos, como o desenvolvimento de distúrbios mentais e a consolidação de uma sociedade intolerante. Logo, o Estado deve criar medidas que resolvam a situação.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que a cultura do cancelamento passou a ser amplamente debatida no país após a última edição do reality “Big Brother Brasil”, televisionado pela emissora TV Globo. Nesse contexto, a participante Karol Conká foi cancelada a partir do momento em que algumas atitudes xenofóbicas e intolerantes que ela cometeu foram televisionadas, o que acarretou a eliminação dela do programa. Desse modo, o preconceito deve sim ser condenado, já que representa um retrocesso para a nação, porém o ato de cancelar um indivíduo não contribui para a reeducação do cidadão, mas sim para a piora do problema como foi perceptível com o desenvolvimento do quadro depressivo da Conká.
Em segundo lugar, os diversos tipos de preconceito estão sendo, cada vez mais, denunciados e condenados pela sociedade. Nesse sentido, os meios de comunicação passaram a ser utilizados como “ferramenta” de luta contra a intolerância com mais intolerância, de modo que, em algumas situações em que a pessoa que foi cancelada se mostra arrependida e pede desculpas, mas não é perdoada e sofre ataques constantes. Nessa perspectiva, em consideração a análise do filósofo Michel Foucault na obra “Vigiar e Punir”, o qual analisa a conduta de punir alguém válida quando traz uma evolução individual, é evidente que a cultura de cancelamento não beneficia a população, o que foi possível ver na série “Control Z” com os desgastes das relações entre os estudantes.
Destarte, a prática de cancelar indivíduos não é benéfica para a resolução de conflitos. Assim, o Ministério da Educação em parceria com a mídia deve criar campanhas expositivas, as quais visem promover aos brasileiros o ensinamento de como expressar a opinião de modo a contribuir para a resolução do problema, por meio de uma reeducação dos indivíduos cancelados. Dessa forma, isso ocorrerá a partir da criação de vídeos nas redes sociais, os quais irão enfatizar os males da cultura do cancelamento, propondo ações educativas, para que os cidadãos atuem contra posicionamentos preconceituosos e intolerantes de forma a evitar que tal comportamento não se repita.