Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/08/2021
Sob a perspectiva filosófica de São Tomas de Aquino, todos os indivíduos possuem a mesma importância. No entanto, percebe-se que, na sociedade contemporânea, essa filosofia é contrariada, principalmente pela cultura do cancelamento, prática essa que reúne grupos de pessoas para julgar, e deixar de apoiar certa personalidade ou empresa, pública ou não, por condutas consideradas inapropriadas pela massa. A partir desse viés, é válido analisar as causas e consequências da reverberação dessa prática na sociedade atual.
Em primeira análise, é importante pontuar como o excesso de positividade e as altas expectativas contribuem para a cultura do cancelamento. Em sua obra ‘‘A sociedade do Cansaço’’, o filósofo Byung-Chul Han declara que a contemporaneidade é marcada pela constante busca por aprovação, o que culmina em diversos problemas sociais. Nesse sentido, é evidente como o que se espera de alguém pode prejudicar as relações sociais, isso acontece devido a concepção que tem-se das pessoas nas redes sociais, como o instagram, por exemplo, onde, na maioria das vezes, se desenvolve uma visão idealizada de um mundo virtual, onde os indivíduos são perfeitos, e nunca erram, uma visão equivocada, visto que, as pessoas podem não acertar sempre, mas isso não dá direito à massa de boicotar, sem importar-se com as consequências que podem vir para o individuo que sofreu o cancelamento.
Além disso, as consequências da cultura do cancelamento são muitas, visto que as relações sociais, hoje, são, infelizmente, breves, sem qualquer tipo de aprofundamento, ou empatia, principalmente no âmbito digital. Para Bauman, a modernidade líquida é um mundo sem forma, de incertezas, e fragilidade nas relações sociais. Tal perspectiva aponta para a falta de responsabilidade da massa, que sem noção das consequências, julgam, difamam e boicotam, sem nem mesmo dar chance ao individuo de explicar a situação, a qual gera grande prejuízo para a personalidade, como a perda de patrocinadores, da dignidade, do próprio sustento pessoal. Isso sem citar a saúde mental de quem é cancelado, que pode desenvolver distúrbios sociais, depressão, e até mesmo tirar a própria vida por não conseguir lidar com a situação. Prova disso é o caso envolvendo o influenciador americano Byron Berdstein, que após duras críticas, suicidou-se.
Portanto, é indispensável intervir sobre o problema. Para isso, a mídia de massa deve criar um programa, por meio de entrevistas com especialistas no assunto, a fim de atualizar a mentalidade social sobre a cultura do cancelamento. Tal ação pode, ainda, ser divulgada por grandes perfis do instagram para atingir mais pessoas. Dessa forma, será possível retornar à filosofia de São Tomas de Aquino, criando um ambiente mais empático, onde todos têm a mesma importância.