Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 02/09/2021
Desde a antiguidade, os seres humanos procuram maneiras de fazer justiça em situações complicadas, nessa época era comum a Lei do Talião, que dizia “olho por olho e dente por dente”. Contudo, com o passar do tempo, esse tipo de julgamento caiu em desuso, por se provar pouco útil, sendo substituído por outras técnicas de punição, como a prisão. Entretanto, com o crescimento das redes sociais na última década, o lema do Talião tem ganho força novamente, graças ao fato de ser possível monitorar cada passo de pessoas influentes por essas plataformas, e trazendo como consequência o linchamento virtual em massa, impulsionado pelo mínimo erro.
Em primeira análise, é possível perceber que, no decorrer do século XXI, houve um aumento exponencial do uso da internet e de redes sociais. Graças a isso, pessoas passaram a ter cada vez mais fama, expondo suas vidas nos mais diferenciados níveis para outros assistirem, mas esse ato é considerado uma faca de dois gumes, pois no momento que uma ação vai contra a moral do espectador, ele critica e ataca de todas as maneiras. Um desses casos aconteceu com a rapper Karol Conká, participante do programa Big Brother Brasil 2021, que desagradou os fãs ao perseguir de forma cruel um colega da casa. Seu caso chegou à internet e, rapidamente, ela passou a ser xingada e, até mesmo ameaçada de morte, sem chances de perdão.
Em consequência ao erro publicado, é possível observar um movimento de revolta e linchamento, que começa com poucos membros, chamando atenção, e impulsionando mais pessoas a participar. Essa reação é explicada pelo filósofo Nietzsche, utilizando-se do conceito de “Efeito Manada”, ele explica que os indivíduos tendem a repetir ações feitas por outros, que adicionado ao contexto do cancelamento, traz a razão dos ataques em massa. É possível, então, perceber que os famosos “Haters”, ou “odiadores” em tradução livre, agem cruelmente para com os outros por serem sempre apoiados e nunca estarem sozinhos nesses momentos de revolta, sentindo-se poderosos e justiceiros, por tratarem com rispidez aqueles que cometeram algum deslize.
Em conclusão, o cancelamento é uma das maiores armas da sociedade atual, justificado como uma punição aos erros de outrem, e cruéis àqueles que falharam, ainda que procurem melhorar. Para que esse ato seja evidenciado como prejudicial, é preciso que a Organização das Nações Unidas faça campanhas, nas próprias redes sociais, que exponham as consequências desses atos e o fato deles irem contra a Declaração de Direitos Humanos. Nesses projetos, seria possível exprimir que, no artigo 5 da Declaração, ninguém será submetido a castigos cruéis ou degradantes. Assim, a sociedade poderia entender o peso de suas ações e levar pessoas como Karol ao aprendizado e não ao sofrimento.