Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/09/2021
Na obra cinematográfica “Control Z” é evidenciado como a internet pode mudar vidas em segundos, apenas uma publicação, que nem precisa ser verdadeira, muitas vezes provoca a exclusão e o isolamento das pessoas que tem sua privacidade violada. Contudo, a atual realidade brasileira não se difere muito disso, com o precário debate sobre a cultura do cancelamento presente nas redes sociais, os principais problemas são o lichamento e a condenação das falhas humanas, que afeta os indivíduos em outros âmbitos, além do virtual.
Inicialmente, na série americana “Black Mirror” é exemplificado em diversos episódios que as pessoas são condenadas por ter uma ideia errada ou se expressar mal na internet, isso afetando diretamente a vida do indivíduos - principalmente fora do ambiente das mídias sociais -, a exemplo da vida profissional ou familiar. Embora a agressão física não aconteça de fato, esse linchamento virtual é perigoso para o psicológico e pode causar ansiedade, depressão, entre outros transtornos mentais na vítima, que para fugir disso muitas vezes acaba optando por tirar a própria vida, como observado no caso recente, em que um jovem de 16 anos - Lucas Santos -, se matou após receber várias críticas depois de publicar um vídeo no qual brincava com seu amigo.
Outrossim, é importante ressaltar o cultuamento aos realities shows que - mesmo indiretamente - impõem o cancelamento por meio da eliminação dos participantes, a exemplo do programa BBB 21, que teve bastante repercussão pelo o cancelamento de várias personalidades públicas, como Karol Conká, Nego Di e Mc Pocah, que também foram vítimas de racismo e ameaças contra suas famílias, dentro e fora do reality. Ainda que haja a criação de associações, como a Safernet, para a denúncia formal dos crimes cibernéticos, os usuários das redes sociais preferem fazer justiças com as próprias mãos, isso se redireciona para “Hastags” de anulação social, que afeta o trabalho e a vida familiar das vítimas dessa condenação de qualquer falha humana.
Destarte, é de extrema importância, para aplacar o linchamento virtual, que o Estado através das redes sociais crie mais diretrizes de conduta, utilizando-se de campanhas de como se portar na internet e um canal de comunicação para o apoio psicológico das vítimas, para evitar o aumento do índice de suicídios. Também que o Ministério da Justiça - para combater a condenação dos erros humanos nas redes sociais - divulgue associações de denúncias de crimes cibernéticos pelas mídias sociais -, para que os crimes cometidos no âmbito virtual possam ser enfrentados corretamente sem as agressões na internet. Dessa forma, o Brasil resolverá os problemas devido ao precário debate sobre a cultura do cancelamento virtual, punindo as práticas criminosas cibernéticas na sociedade contemporânea.