Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/09/2021

A cultura do cancelamento tem sido bastante observada nas mídias sociais, trata-se de uma corrente que incentiva as pessoas a deixarem de apoiar determinadas pessoas e empresas por comportamentos considerados incorretos e repreensíveis. No entanto, a partir do momento que o cancelamento se torna uma ferramenta de inflição de dor, pode causar danos sérios ao psicológico do indivíduo. Dessa forma, é preciso debater a falta de educação digital e a perpetuação da intolerância nas redes sociais.

Em primeira análise, é preciso ressaltar que a educação para as mídias é fator primordial à ocorrência dos linchamentos virtuais. Nesse contexto, com o enorme avanço digital, a sociedade que não foi preparada para tal uso abarca a falsa liberdade e invisibilidade que a internet oferece. Desse modo, muitas pessoas acabam por fazer das redes sociais um tribunal digital, no qual podem julgar e sentenciar da maneira como bem entenderem — inclusive, cancelando as pessoas. Segundo o escritor Leonardo Sakamoto, autor do livro “O que Aprendi Sendo Xingado na Internet”, a educação para a mídia é necessária para os indivíduos selecionarem, interpretarem e veicularem conteúdos com responsabilidade. Dessa forma, é perceptível a necessidade de fomentar o sentimento de responsabilidade nos internautas, a fim de que esses possam ter noção que certas atitudes nas redes sociais podem ser extremamente  prejudiciais aos outros.

Por conseguinte, a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea causa a perpetuação da intolerância, uma vez que é baseado no discurso de ódio. Nessa perspectiva, os habitantes digitais tornam-se singularizados e isolados para si, não enxergando o outro como uma pessoa, visto que não o conhece pessoalmente e não o atacam diretamente, já que, muitas vezes, suas imagens não estão expostas. Dessa maneira, torna mais fácil ultrapassar as barreiras do respeito e atacar pessoas por motivos diversos, como não concordância com alguma atitude ou apenas por elas serem diferentes. Logo, os discursos de ódio ganham um poder de disseminação virtual, uma vez que cancelar pessoas se tornou algo cultural. Nesse viés, a filósofa alemã Hanah Arendt acredita que quando uma atitude opressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Assim, ocorre a banalização do cancelamento e a sua perpetuação, com a propagação da violência digital tornando-se algo comum.

Portanto, é necessária medida que reverta a cultura do cancelamento na sociedade brasileira. Para isso, urge que as mídias, locais onde ocorrem esse tipo de atitude, promovam debates recorrentes sobre as consequências do cancelamento. Isso vai ser realizado por meio de parcerias com influenciadores digitais, uma vez que abrangem muitos seguidores e podem ajudar na conscientização dos seus públicos, ajudando a propagar o acolhimento, a fim de obter um meio virtual sem segregação.