Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 31/08/2021

O romance filosófico ‘‘Utopia’’ criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante debate sobre a cultura do cancelamente, problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse complexo panorama ocorre não só em razão da falta de inteligência e resposabilidade emocional para lidar com  a de exclusão social, mas também pela influência de redes sociais que promovem tal comportamento. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.

Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar que a carência de investimentos em desconstruir a cultura do cancelamento deriva da ineficácia do Poder Público, no que concerne à criação de mecanismos, os quais coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o estado foi criado por um pacto para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido falta de reconhemento do que uma ação pode causar o ser é levado a acreditar na cultura do cancelamento como solução porém tal proposta leva apenas a uma exclusão temporária que não incentiva a reflexão do error. Destarte, fica evidente a situação caótica.

Além disso, a forte influência das redes socias apresenta-se como outro desafio da problemática. De acordo com a mídia da época o cantosChris Brown estava cancelado ápos caso de agressão contra namorada e cantora Rihanna. Tal conceito é materializado no Brasil e no mundo, haja que vista que o cantor perdeu muita fama e contratos profissionais, porém atualmente a situaçao quase não é recordada e o artista volta a fazer sucesso como se nada tivesse acontecido,o que, consequentemente, prova a ineficácia do cancelamento. Logo, tudo isso retarda o combate à cultuta do cancelamento, já que a influência das mídias socias contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol da diminuição da cultura do cancelamento. Assim, cabe ao Congresso Nacional, mediante o aumento do percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, amplar palestras de concientização ministradas por profissionais especializados na área de saúde mental e comportamento, com o objetivo de debater mais e combater a cultura de cancelamento no Brasil. Dessa forma, pode-se-à concretizar a ‘‘Utopia’’ de Morus na sociedade brasileira.