Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/08/2021
Nesse ano, houve a realização do Big Brother Brasil (BBB) 21, um programa de TV no qual convidados ficam confinados em uma casa enquanto convivem diariamente uns com os outros até que sejam eliminados pelo público e se obtenha um campeão. Sob esse contexto, sabe-se que, durante o reality show, houve uma grande antipatia do público contra a participante Karol Conká, que atingiu o recorde de maior rejeição da história do BBB, o que gerou traumas para ela. A partir dessa perspectiva, surge a necessidade do debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, que deriva do contexto histórico do Brasil e do comportamento típico da população brasileira.
Mormente, segundo o historiador Leandro Karnal, o Brasil possui um histórico considerável de disseminação de ódio, já que houve, ao longo dos anos, a repressão de diversos grupos, o que culminou em mortes que foram utilizadas para controlar a rebeldia da população. Como exemplo desse fato, pode-se citar Tiradentes, um revolucionário mineiro que foi morto e teve sua cabeça exposta em praça pública para que servisse de exemplo para todos que tentassem ir contra os ideais do governo. Sob tal ótica, pode-se inferir que, a partir da convivência constante com a repressão e com a violência, o brasileiro acabou por normalizar atitudes de opressão. Dessa forma, houve a criação da cultura do cancelamento na sociedade, que segue sendo comum até os dias atuais.
Ademais, conforme o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é, em sua essência, um homem cordial, ou seja, uma pessoa que age guiada pela emoção em detrimento da razão, o que muitas vezes compromete a convivência em sociedade. Ao analisar essa assertiva, percebe-se que esse comportamento típico é um fator que pode indicar um comportamento agressivo em um determinado contexto, já que, por refletir pouco sobre uma situação tida como revoltante, a população acaba por utilizar seu instinto, o que gera uma disseminação de ódio direcionada a uma pessoa ou um grupo. Sendo assim, é notável que, quando há um evento que desagrada muitas pessoas, é comum que estas deixem de agir com a lógica e passem a atacar ou boicotar quem errou, o que gera essa onda de cancelamentos vivenciada no Brasil contemporâneo.
Portanto, compreende-se que a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea é fruto do histórico de agressividade do Brasil e do comportamento emotivo do brasileiro. Desse modo, faz-se mister que o governo federal, por via do Ministério da Educação, alerte sobre os problemas gerados pela disseminação do ódio, por meio da realização de palestras conscientizadoras, a fim de mitigar essa problemática. Só assim, haverá uma população que conterá cada vez mais seus ânimos, o que gerará uma convivência mais harmônica e pacífica.