Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 02/09/2021

A expressão “cultura do cancelamento” foi eleita pelo dicionário australiano Macquaire - o qual seleciona as palavras e vocábulos que mais caracterizam o comportamento dos seres humanos todos os anos - como termo de 2019. Ela se refere às exposições de atitudes ou ideias negativas de pessoas, famosas ou não, com o intuito de que elas sejam julgadas, criticadas. Porém, ao tentar fazer justiça por conta própria, o expositor e aqueles que atacam o exposto não dão chances dele se desculpar, explicar, nem se redimir. Também não se importam com as consequências que podem acontecer ocasionadas pelas postagens.

Primeiramente, é válido pontuar que as redes sociais são os principais meios utilizados pelos “canceladores”. Por essa razão, as exposições são facilmente divulgadas, ou seja, muitas pessoas podem se envolver, insultando ou repostando quem foi exposto. Isso viola a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual afirma que ninguém será sujeito à interferência na sua vida privada, nem ataques à sia honra e reputação e, caso ocorra, pode procurar a lei para se defender. Isto é, além de desrespeitar a vida pessoal de quem é atacado, o expositor e seus apoiadores não dão a chance dele se desculpar, explicar ou tentar resolver a situação, desviabilizando a liberdade de expressão, que é outro direito humano. Sendo assim, a imagem negativa posta ao acusado não poderá ser mudada e ele irá sofrer as consequências desse “cancelamento”.

As quais podem acabar com oportunidades como uma vaga de emprego, um relacionamento. Além disso, há chances de causarem transtornos mentais como depressão, ansiedade, pois, a saúde psicológica de quem é atacado também é afetada, já que a pessoa é excluída das redes sociais, fica com uma reputação ruim, o que faz não ser bem quisto pela sociedade. Portanto, fora os direitos violados, o acusado terá que sofrer com a exclusão, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional, e lidar com os ataques, caso contrário, també irá ficar com a saúde afetada.

Diante do exposto, é possível perceber que o principal defeito da cultura do cancelamento é o pré-julgamento. Isto é, antes de qualquer diálogo entre acusador e acusado, ocorre a divulgação de um acontecimento negativo e vários ataques baseados nisso, não há chances de um pedido de desculpa, do atacado tentar explicar ou, ainda, resolver a situação. Logo, o Poder Judiciário e o Ministério da Educação devem lançar uma campanha educacional, a qual ensine que para haver um julgamento, é preciso do diálogo, além das provas. Ou seja, o diálogo é necessário para qualquer conclusão, é o mediador de qualquer conflito. Dessa forma, a sociedade entenderia que para julgar é preciso dialogar e, se preciso, denunciar e não apenas criticar. Assim, a cultura do cancelamento seria cancelada.