Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 06/09/2021
A rapper Karoline dos Santos de Oliveira, mais conhecida como Karol Conká, após propagar comentários grotescos no reality show Big Brother Brasil, foi rejeitada pelo público, além de ter perdido inúmeros trabalhos. Essa rejeição se popularizou nas mídias sociais como “cultura do cancelamento”, que é quando alguém tem opinião ou atitude oposta ao que é considerado ideal pela sociedade contemporânea. Nesse sentido, é imperioso observar, não só qual a motivação que leva alguém a praticar o cancelamento, mas também os danos psicológicos na vida do indivíduo cancelado.
Em primeira análise, é evidente que para que uma ação seja realizada, quer se torne positiva ou negativa, ela precisa depender de uma motivação, como afirmava o monge budista Dalai Lama. Sob essa óptica, observa-se que a cultura do cancelamento é motivada pela necessidade dos indivíduos de fazer justiça, mesmo que cause dano à alguém. Nesse aspecto, o indivíduo, que, geralmente, é uma figura pública como um artista ou um político, é oprimido por ter uma opinião contrária a da maioria da população e, em virtude disso, é alvo de comentários preconceituosos e maldosos, o que faz com que percam trabalhos, por marcas não quererem seu nome atrelado a pessoas com má influência, como aconteceu com a influenciadora digital Gabriela Pugliesi, que, de acordo com a revista Forbes, foi cancelada por ter ido a uma festa durante a pandemia da Covid-19 e, devido ao cancelamento de trabalhos, obteve prejuízos que giram em torno de 3 milhões de reais.
Em segunda análise, é importante observar os diferentes danos psicológicos que a rejeição social, devido ao cancelamento, pode trazer para a vida dos indivíduos. Sob esse viés, percebe-se que ao ser “cancelado”, o ser humano passa a ser marginilizado e discriminado pela sociedade, o que faz com que essa figura pública seja excluída, principalmente, pelo público da internet, mudando rapidamente o seu estilo de vida. Essa mudança brusca causa traumas que, segundo a Organização Mundial da Saúde, pode desencadear transtornos psiquiátricos, como a depressão, o abuso de substâncias psicoativas e o transtorno de ansiedade generalizada. Diante disso, é possível perceber que a cultura do cancelamento se disseminou de forma rápida e negativa na sociedade.
Portanto, tendo em vista o debate sobre a cultura do cancelamento e o seu combate, é mister que o poder legislativo, por meio da apresentação de um projeto de lei no Plenário do Congresso Nacional, aprove uma lei contra o cancelamento virtual, para que atentados contra a liberdade de expressão e a disseminação de ódio virtual possam acabar. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação inclua a matéria “Cidadania no Mundo Virtual” na grade curricular das escolas, para que ajude a desenvolver indivíduos mais críticos e consciente.