Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/08/2021
Na novela “Amor de Mãe”, a atleta Marina perdeu milhares de seguidores nas redes sociais, além de deixar de ser patrocinada no esporte, após postar uma foto com seu namorado, de quem o público não gostava. Essa situação demonstra a cultura do cancelamento, em que um indivíduo ou uma empresa perde a credibilidade após algum posicionamento considerado inadequado ou discriminatório, e não está restrita à ficção. Com isso, os “cancelados” são alvo de ódio na internet e têm quaisquer ações positivas invalidadas, sem a chance de redenção ou aprendizado, o que é danoso e requer a atenção da sociedade.
Em primeiro lugar, vale salientar que é imprescindível que as pessoas estejam atentas a atitudes e comentários potencialmente ofensivos, pois é a partir da sua identificação que é possível trabalhar pela sua diminuição e, consequentemente, pela promoção de uma comunidade mais respeitosa e inclusiva dentro e fora das redes. Contudo, na contemporaneidade, o que é visto é a exclusão imediata e a ausência de diálogo com quem se manifesta em discordância, o que caracteriza o cancelamento. Isso foi evidenciado pela cantora Karol Conká que, após a sua participação no reality Big Brother Brasil, foi vítima de julgamentos que continuaram mesmo depois do seu pedido de desculpas. Desse modo, é perceptível que essa cultura não é favorável ao debate, o que contraria a ideia central da democracia.
Em segundo plano, em seu livro “1984”, o escritor inglês George Orwell conta sobre uma sociedade distópica na qual um governo ditatorial manipula notícias, o que faz com que os cidadãos disseminem relatos falsos. De maneira análoga, no Brasil contemporâneo, a falta de informação é um fator relevante na perpetuação da postura do cancelamento, na medida em que, quando não têm conhecimento sobre determinado assunto, as pessoas podem reproduzir afirmações com as quais elas mesmas não concordam. Com base nisso e no filósofo alemão Immanuel Kant, que dizia que o homem é o que a educação faz dele, torna-se notório o valor da análise dos acontecimentos antes da adoção de um ponto de vista, especialmente quando ele promove a exclusão.
Isto posto, fica claro que a tomada de medidas que extingam a cultura do cancelamento é necessária. Para isso, é fundamental que o Ministério da Educação organize palestras em escolas públicas, com o objetivo de educar os jovens sobre os efeitos negativos dessa questão e sobre a importância do diálogo e do respeito, de forma a incentivar a ocorrência de discussões saudáveis e a compreensão de diferentes pontos de vida sem que haja o afastamento de nenhuma das partes. Assim, o problema será resolvido, pois, segundo o pensador Kant, a educação propicia o desenvolvimento do homem.