Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 31/08/2021

De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o ser humano, em seu estado natural, corrompe o meio no qual se insere. Esse ser entrópico hobbesiano é transparecido com clareza nas relações sociais do século XXI, principalmente por causa da inserção informacional da internet, sobretudo nas redes sociais em um cenário capitalista globalizado. Dessa forma, cria-se um a sociedade juíza perigosa, munida da cultura do cancelamento e fomentada, primordialmente, pela sensação de impunidade do anonimato na rede e pela ignorância ética, moral e educacional da população.

Em primeira análise, é necessário entender o comportamento humano diante da conectividade do século XXI. De acordo com a Psicologia, o ser humano comporta-se na intenção de adquirir a plenitude da felicidade, ligada intrinsecamente com a sensação de poder. Dessa forma, ao adquirir o anonimato e a impunidade, relacionados com a falta de políticas públicas para mudança desse cenário, o usuário aplica seus “direitos” de julgar e “cancelar”, de acordo com o seu discernimento, as situações cotidianas. Apesar da importância da voz ativa na sociedade problemática atual, essa ação coletiva de “cancelamento”, por vezes, fere os direitos alheios de privacidade, respeito e, sobretudo, dignidade e a Constituição Federal, representação do contrato social do Estado com a população.

Outrossim, de acordo com Paulo Freire, a educação é o melhor investimento de uma nação para reduzir as mazelas sociais e quebrar os estigmas de uma sociedade. Sendo assim, é importante salientar a completa relação da ignorância da população sobre os malefícios que a cultura do cancelamento causa e seu desenvolvimento progressivo na contemporaneidade. Essa perspectiva também é relacionada aos grandes influenciadores digitais nas redes sociais, ao banalizar a privacidade e os assuntos alheios. Dessa forma, de acordo com o Fato social do sociólogo Durkheim, a população adquire esses métodos por assimilação e os transmite de maneira análoga pelo “cancelamento”. Diante dessas perspectivas, é preciso investir na educação e na conscientização da sociedade sobre os limites do julgamento e da privacidade para obter um bem-estar nas relações da comunidade.

Portanto, a fim de reduzir a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, é preciso que o Governo Federal, na figura do Ministério da Internet, invista em políticas públicas para o combate da impunidade e do completo anonimato nas redes, com contratação de profissionais qualificados para obter dados dos crimes cometidos por usuários, para existir um ambiente seguro e respeitoso na internet. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação invista em palestras e aulas educacionais nas escolas do país com a temática “cancelamentos e seus malefícios”, na intenção de reformar a juventude, grande parte do público da internet, quanto a educação e respeito na rede.