Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/09/2021

A Revolução Técnico-Científica Informacional, iniciada no século XX, significou uma profunda mudança no modo de vida da população, devido às grandes descobertas no campo científico. No ambiente digital, as informações passaram a ser propagadas de forma instantânea, mas que nem sempre são de aspecto positivo, fator que pode ocasionar, por exemplo, o surgimento de uma espécie de “tribunal virtual” - caracterizado pela cultura do cancelamento. Nesse sentido, é válido analisar o que motiva essas ações dos usuários nas redes sociais e os prejuízos dessa questão, como os danos psicológicos, aos “cancelados”.

Em primeira análise, é válido destacar que a cultura do cancelamento significa, dentre diversos aspectos, uma forma de “ostracismo social”. A série Gossip Girl, por exemplo, se baseia na constante ameaça de linchamento virtual impulsionado por uma misteriosa blogueira que, em vários momentos, julga ações consideradas “questionáveis” praticadas pelos protagonistas. Com isso, fica evidente que o cancelamento pode funcionar, em última instância, como uma ferramenta de exclusão social, ao passo em que pessoas em posição de influência ou popularidade, por conta de posicionamentos repreensíveis, são criticadas e “canceladas” pela coletividade, como uma forma de punição. Assim, o debate sobre esse tipo de cultura na contemporaneidade deve ser impulsionado.

Outrossim, nota-se que a questão mental daquele que sofre esse tipo de punição é inevitavelmente afetada. Isso porque, a partir do momento em que o cancelamento se torna uma ferramenta usada para impor castigos e gerar sofrimento psíquico, o acontecimento pode ser considerado abuso psicológico de um grupo contra um indivíduo. Segundo o Portal G1, o Big Brother Brasil (BBB) de 2021 se tornou a edição em que os participantes sentiram mais angústia e ansiedade com a probabilidade de serem “cancelados” pelos telespectadores. Desse modo, vê-se que esse problema social e virtual deve ser combatido.

Portanto, diante do debate sobre a cultura do cancelamento na contemporaneidade, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com a mídia socialmente ativa, atue em favor da população. Isso deve ser feito por meio da elaboração de palestras e aulas educativas curtas, realizadas em ambiente escolar e televisionadas - as quais contem com a participação de profissionais da saúde, como psicólogos - que serão responsáveis por apresentar novas formas e possibilidades de discussões saudáveis entre os indivíduos e por expor as consequências mentais sofridas por aqueles que já arcaram com esse tipo de punição, a fim de que esse problema acabe na sociedade.