Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/09/2021
Antigamente, nas cidades-estado gregas, ocorria o fenômeno do ostracismo, movimento com participação popular para determinar o exílio de algum indivíduo da própria comunidade. De maneira análoga, acontece, atualmente, na sociedade brasileira, por meio das redes sociais, um processo nocivo de exclusão, denominado de cancelamento. Sendo assim, as vítimas dos boicotes sofrem dois acentuados problemas: um de ordem econômica e outro de ação psíquica.
De início, sabe-se que a influência do cancelamento é enorme ao ponto de atrapalhar os ganhos capitais dos envolvidos. Fato é, não raro, que uma rede complexa foi desenvolvida para punir as pessoas que praticam ações consideradas erradas, dentre as consequências há a perda de parcerias, patrocínios, além da própria desvalorização como ser humano. Para exemplificar, a música “Flores”, cantada por Luísa Sonza e Vitão, apresentou um assustador número de “dislikes” devido ao cancelamento do casal e, portanto, comprovou o alcance e relevância desse processo na vida financeira de um grupo que depende consideravelmente da efetividade do marketing digital, o qual viabiliza perdas capitais imensuráveis.
Outrossim, o cancelamento afeta estão intimamente os indivíduos que pode ser prejudicial à saúde. Isso ocorre porque a intensidade de comentários maldosos e direcionados é muito elevada, podendo ocasionar transtornos psíquicos e exacerbado mal-estar às supostas vítimas. A partir disso, artistas cancelados, como a Vih Tube, declarou, em suas redes sociais, que não é saudável reduzir uma pessoa a um determinado erro. Com isso, a influencer, a qual passou por diversas terapias, confirma os malefícios associados à saúde, principalmente mental, gerados pela cultura do cancelamento, os quais são inicio de depressão e ansiedade, por exemplo.
Ante o exposto, cabe ao poder público combater essa cultura nociva, mediante intervenções midiáticas, as quais apresentem vítimas de hater, compartilhando suas experiências advindas do cancelamento, a fim de evitar os prejuízos econômicos e psicológicos proporcionados por esse processo. Ademais, é dever das instituições de ensino promover debates acerca do tema, para promover uma geração menos julgadora e, por conseguinte, mais saudável.