Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/09/2021

Segundo a Constituição Federal de 1988 é garantido o direito à liberdade de expressão aos indivíduos. No entanto, o avanço da cultura do cancelamento, isto é, o boicote a celebridades ou pessoas importantes por causa de determinadas ações, afeta os termos constitucionais. Dessa forma, é importante analisar as causas desse acontecimento, a citar, a propagação dos recursos digitais e a falta de diálogo entre os usuários das redes.

De início, é válido ressaltar como a intensificação no uso dos aparatos tecnológicos resultou na ampliação do contato entre diversas pessoas, além de mudar o hábito desses. Nesse viés, o pensador Marshall Mcluhan alega que na medida em que novas tecnologias são criadas, essas modificam a forma de interação das pessoas. Seguindo essa linha de pensamento, os recursos digitais possibilitaram novas maneiras de expressão, dentre elas a cultura do cancelamento, em que se é usado as redes sociais para atacar pessoas de relevância por atitudes contraditórias, sem dar o direito de se defender das acusações. Logo, a internet desempenha um papel primordial na propagação dessas ações que buscam assassinar reputações.

Ademais, a falta de tolerância entre os indivíduos também intensifica o problema da cultura do cancelamento. Nessa ótica, o filósofo grego Sócrates defende a importância do diálogo como forma de obter conhecimento, ou seja, por meio da dialética entre dois lados com opiniões divergentes há uma síntese, a qual é representada pela mudança de comportamento. Seguindo essa linha de raciocínio, o cancelamento nas redes sociais, no entanto, não permite que haja um verdadeiro debate, polarizando as discussões e afetando centenas de pessoas com quebras de contrato e perda de seguidores. Assim, torna-se importante a conversação como maneira de entender o outro.

Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver essa problemática. Para isso, é dever das instituições de ensino, como responsáveis por formarem as pessoas que usam as redes sociais, acabarem com o cancelamento. Essa ação deve ser realizada por meio de aulas abordando a prática da empatia na internet, com o objetivo de reduzir esse acontecimento. Ademais, cabe ao governo desestimular essa cultura. Isso deve ser feito por intermédio de campanhas publicitárias e palestras valorizando o diálogo como forma de superar o ódio e a intolerância, características das redes sociais, a fim de conscientizar a população sobre os efeitos danosos dessa prática.