Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/09/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, garante a todo cidadão o direito à liberdade de expressão e vida digna. Dessa forma, é dever do Estado propor mecanismos para assegurar tais privilégios e, assim, garantir o bem-estar social. Todavia, na sociedade contemporânea, a cultura do cancelamento está ganhando força principalmente no meio digital e tal fato ocorre devido tanto ao sentimento de injustiça social e influência do meio, quanto da ausência de leis no meio digital que observem discursos de ódio.

A priori, o ser humano nasce com duas capacidades sociais: a sociabilidade, que remete a vida no âmbito social de forma equilibrada, e a socialização, a qual ocorre quando o homem incorpora as características do grupo que pertence. Nessa lógica, segundo o filósofo Michel Foucalt, o homem é um ser “biopsicossocial” o qual necessita que essas três esferas -física, psicológica e social- sejam estimuladas de forma harmônica para um desenvolvimento saudável do indivíduo. Nesse sentido, a cultura do cancelamento toma proporções rápidas porque o indivíduo é bombardeado com as informações tendenciosas nas redes sociais e logo vê a necessidade de se pronunciar sobre o ocorrido, sendo influenciado pelas opiniões da maioria, o que se chama de “efeito manada”. Logo, a população acha que está fazendo justiça somente por comentar na internet sobre algo que está no auge, sem considerar os efeitos sociais e psicológicos de quem está sendo ofendido.

Em segunda análise, a ausência de segurança e leis nas plataformas “onlines” corrobora para a disseminação do discurso de ódio e da cultura do cancelamento. Nessa lógica, o que se observa é que a liberdade de expressão é utilizada como forma de amenizar xingamentos grosseiros e hostis, uma vez que para a sociedade a pessoa cancelada não merece perdão. Um exemplo disso ocorreu no programa de televisão Big Brother Brasil, no ano de 2021, quando a apresentadora Karol Konka teve sua carreira de cantora e apresentadora, além de inúmeros patrocínios perdidos como consequência dos atos no “reallity”. Assim, falta tanto impunidade para quem xinga e dissemina ódio com quem errou, quanto dicernimento de comentar um erro e querer que alguém seja excluído socialmente.

Em vista disso, para reduzir o cancelamento na sociedade contemporânea, cabe ao Ministério da Educação, ligado ao Ministério da Saúde, realizar nas instituições escolares projetos em que psicólogos tanto palestrem sobre erros e acertos, quanto ofereçam consultas, nos horários de intervalo para quem precisa aceitar que é normal errar, a fim de promover uma maior naturalização de tal fato e fazer com que a nova geração aceite melhor quando ocorre. Somado a isso, as mídias sociais devem realizar plataformas com espaço para denúncias que sejam averiguadas e as pessoas punidas.