Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 07/09/2021

Na edição de 2021 do programa “Big Brother Brasil”, a cantora Karol Conká foi cancelada e eliminada com a maior porcentagem de rejeição da história do reality. Além disso, foram criadas páginas de ódio à ex-participante e o seu filho chegou a receber ameaças de morte. Embora seus atos tenham sido realmente preocupantes, é importante destacar que a questão da cultura do cancelamento tende a gerar extremismos na sociedade contemporânea. Desse modo, é crucial discutir sobre dois pontos: o surgimento desse tipo de boicote e seus impactos na saúde mental do cancelado.

Sob esse viés, percebe-se que cancelar alguém, ou seja, ignorar uma pessoa e o que ela produz, é um termo que ganhou força nos últimos tempos. Segundo o filósofo e sociólogo contratualista Thomas Hobbes, o homem é o próprio lobo do homem, isso pois, apesar de o indivíduo não ser 100% bom ou mau, na cultura do cancelamento existe uma tendência a pautar comportamentos e posicionamentos por meio de um julgamento público e extremamente ofensivo. No entanto, essa exclusão nem anula a atitude feita, nem dá espaço para uma melhora. Nesse sentido, é muito relevante a cooperação entre cancelador e cancelado por meio de explicações mais pacificas em diálogos sobre a problemática a fim de que haja mudança e melhoria social.

Outrossim, são inegáveis os efeitos negativos do cancelamento para a mente daquele que foi invalidado. A atriz e influenciadora digital Viih Tube, por exemplo, afirmou que tentou tirar a própria vida após o seu primeiro cancelamento. Nesse contexto, é  necessário destacar que há limites no linchamento virtual e, ao serem ultrapassados, provocam doenças mentais e, muitas vezes, o suicídio. Então, faz-se importante buscar atendimento psicológico, tanto o cancelado, para obter um apoio em meio ao caos na internet, quanto o cancelador, para entender a dimensão de suas atitudes e também os seus impactos à saúde mental do primeiro.

Fica evidente, portanto, diante dos fatos supracitados, que a sociedade contemporânea ainda precisa amadurecer no debate acerca da cultura do cancelamento. Em síntese, é dever dos próprios internautas, os responsáveis por cancelar e julgar, promoverem postagens sem um extremismo explicando de maneira pacifica sobre o problema através de diálogos em transmissões ao vivo, comentários e publicações, buscando uma evolução daquele que cometeu erro e não uma exclusão do mesmo. Logo, os indivíduos, cancelados e canceladores, precisam procurar apoio psicológico e familiar compartilhando seus sentimentos para evitar o desenvolvimento de doenças mentais, como a ansiedade, o transtorno de personalidade, a depressão e, até mesmo, o suicídio. Assim, pessoas como Karol Conká terão a oportunidade de aprender com seus erros e progredir socialmente.