Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/09/2021
Na obra “O triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o personagem principal, Quaresma, era frequentemente excluído de importantes nichos socias da sua época, muito em virtude do seu excessivo idealismo sobre as questões nacionais, criando assim uma certa ojeriza nas demais pessoas do seu convívio que não achavam aquilo algo relevante. E ao se fazer uma analogia dessa situação, com o que ocorre na realidade contemporânea, pode-se dizer que ele foi “cancelado” por causa do seu comportamento, e isso algo bastante recorrente nos dias de hoje por dois motivos: a popularização dos meios de comunicação e as mudanças no modo de interagir entre si.
Primeiramente, o avanço tecnológico de aparelhos telefônicos e da “Internet” permitiu que a comunição acorra em tempo real, e o advento das redes sociais, que são plataformas de interação humana de forma digital, pontecializou ainda mas isso, pois tudo que é feito pelas pessoas podem ser expostas nelas. Ou seja, uma ação considerada negativa, pode repercurtir em determinados segmentos e gerar uma reação de “cancelamento” contra o autor. Que segundo o filósofo Slavoj Zizek, o homem embora viva sob inúmeras contradições, ele não gosta de ser contrariado e esse ato de “cancelar” é uma forma de eliminar o contraditório em sua frente.
Ademais, a luta por inclusão social e ações afirmativas mudaram a forma das pessoas se relacionarem, e práticas antes corriqueiras, não são mais aceitas hoje em dia. Como por exemplo, alguém que emite uma ofensa de cunho racista, e caso esse ato seja registrado e “viralize”, termo usado para conteúdo muito conhecido na internet, além de responder criminalmente, o autor pode sofrer uma onda de “cancelamento”. Igual aos torcedores do time de futebol Grêmio, que proferiram palavras racistas contra jogadores negros do Santos, na Copa do Brasil de 2013.
Mediante o que foi exposto anteriormente, há a necessidade de fazer o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade, sobretudo entre os mais jovens, já que a maioria deles navegam bastante na internet e se exibem muito em redes socias. Pois, tal ação pode ter efeitos positivos, mas também negativos. Por isso, o Estado, por meio do Ministério da Educação, deve exibir campanhas educativas nas rádios, nas TV’s e na Internet, com intuito de conscientizar as pessoas a evitarem exposição exagerada e/ou linchamento moral de alguém, por causa de um ato que muitas vezes requer uma apuração melhor dos fatos, buscando respeitar o direito de resposta e do contraditório do outro, porque também é sujeito de direitos com qualquer cidadão.