Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 02/09/2021
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os cidadãos o direito a liberdade de expressão e ao bem-estar social. No entanto, percebe-se que esse pressuposto não é empregado adequadamente no país, em razão da cultura do cancelamento, o que configura um problema a ser resolvido. Com efeito, há de se examinar não somente a inoperância midiática no que tange ao debate desse tema, mas também a falta de comprometimento das instituições educacionais como fatores ligados à problemática em questão.
Em primeiro lugar, a omissão da mídia quanto à anulação das pessoas por meio da internet ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. O filósofo Foucault, defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Por essa ótica, pode-se observar que a mídia, em vez de promover matérias que elevem o nível de informação da população sobre o cancelamento dos indivíduos no Brasil, acaba contribuindo com o aumento da falta de conhecimento da população sobre a liberdade de expressão, influenciando na consolidação do problema, cuja base é o silenciamento midiático de uma situação a qual está tão presente na sociedade e que precisa cessar.
Outrossim, é igualmente preciso apontar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que contribui para a manutenção do ataque as pessoas por meio do cancelamento. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ela destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também as habilidades socioemocionais, como o respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileiras, uma vez que são conteudistas, não contribuem no combate a cultura do cancelamento e, portanto, não formam indivíduos da forma como Freire idealizou.
Entende-se, portanto, a cultura do cancelamento como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio, de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com psicólogos, com o objetivo de mostrar as reais consequência do cancelamento das pessoas, apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores como não agir quando ver alguém tendo uma atitude em que a maioria não concorda. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, promover palestras escolares, fomentando um debate sobre o assunto com os alunos. Desse modo, a concepção de Freire sobre a educação será devidamente aplicada.