Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/09/2021
Em 2021, no reality show brasileiro “Big Brother Brasil” a participante Karol Conká, devido ao seu comportamento para com os outros participantes, recebeu uma onda de ódio, que afetou seriamente sua vida profissional. Essa situação, atualmente, é denominada de “cancelamento”, ou seja, um ataque virtual à reputação do cancelado de modo a ameaçar os seus meios de subsistência atuais e futuros, baseando-se em uma moral fomentada entre os usuários. Dessa forma, faz-se necessário analisar as causas e consequências que sustentam essa conduta, a citar, a falta de diálogo com o suposto acusado e o efeito destrutivo da psique e a vida profissional desse indivíduo.
Primeiramente, dentro do mundo das redes sociais, um número cada vez maior de indivíduos, principalmente pessoas públicas, sentem medo de serem cancelados e vítimas do julgamento online e limitam suas postagens e comentários a um padrão que é dito aceitável moralmente pelo grupo virtual. Esse desconforto é ampliado pelo fato da ausência de um debate em que se busque entender a justificativa para a ação do outro, o que gera, muitas vezes, falsas acusações e calúnias coletivas. Esse monólogo virtual faz com que o cancelamento seja mais nocivo para o cancelado, não dando-o oportunidade de auto-defesa. Com isso, parafraseando o filósofo Descartes, para se encontrar a real verdade por trás dos fatos é necessário duvidar profundamente de todas as coisas.
Ademais, atualmente, como o aumento da cultura de cancelamento no Brasil, a pressão causada pelo medo de cometer um erro no espaço da internet, acarreta problemas psicológicos, como depressão, ansiedade, entre outros, na maioria dos usuários de redes sociais. Portanto, frequentemente, a sociedade vai além do simples jugamento, transformando a critica em um linchamento virtual e até uma espécie de cyberbullying nas redes sociais. Nessa forma, em paralelo com a frase " O homem é o lobo do homem", do teórico político Thomas Hobbes, a população virtual se torna “o lobo” de si própria, afetando as relações e a liberdade de expressão no mundo cibernético.
Infere-se, em vista disso, que a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, principalmente, no Brasil, precisa ter suas fundações desfeitas. Para tanto, a Mídia junto com o Ministério da cultura, deve inserir discussões acerca dos problemas gerados pelas críticas destrutivas no ambiente das redes sociais e sobre a importancia do diálogo para entender os fatos, por meio de debates com psicólogos e especialistas em redes sociais, a fim de formar cidadãos mais conscientes em relação aos problemas mentais gerados pela ato de cancelar e diminuindo assim o ciclo de repreensão da liberdade de expressão virtual. Dessa forma, pessoas como a Karol Conká poderam se desculpar pelos seus erros e aprender com eles.