Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 02/09/2021

A Constituição brasileira de 1988, conjunto de leis fundamentais do país, defende em seu artigo sexto a educação como essencial a todos. Entretanto, esse direito vem sendo praticado de uma maneira um pouco violenta, assim, é necessário o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, visto que é uma maneira válida de cobrar mudanças, contudo, muito drástica.

Em primeira análise, vale destacar que o cancelamento é um meio conveniente  de cobrança de alterações. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, em sua teoria “Habitus”, defende que um ato é considerado banal quando sua prática é constante. Dessa maneira, entende-se que preconceitos estão ainda muito presentes na sociedade brasileira e fica clara a necessidade dessa maneira oportuna de exigir mudanças.

Em segundo plano, convém lembrar que a cultura de cancelar é feita de maneira muito extrema. Certamente, ainda que, feita por motivos pertinentes, na maioria dos casos, o ato do cancelamento toma proporções exageradas. Assim sendo, um claro exemplo da extensão dos resultados do cancelamento é o sofrido pela blogueira Gabriela Pugliesi, que teve um prejuízo de mais de 2 milhões de reais após ser cancelada. Dessa forma, evidencia-se os resultados drásticos, desse ato, o qual muitas vezes gera resultados desproporcionais com o tamanho do erro.

Portanto, em virtude dos fatos mencionados, entende-se que a cultura do cancelamento é necessário, porém muitas vezes exagerado. Logo, cabe ao Estado exigir uma melhor fiscalização e penalização de crimes, como preconceitos, visto que muitos cancelamentos ocorrem devido a discriminações, por meio de um projeto entregue à Câmara de Deputados, visando um maior controle desses delitos, atenuando a necessidade de cancelamento. Além disso, o Ministério da Educação deve alertar sobre as consequências desses atos, com campanhas nas mídias sociais, visto o alcance maior de pessoas, para uma sociedade mais consciente.