Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 06/09/2021
No reality show brasileiro, “Big Brother Brasil”, a edição do ano de 2021 gerou diversos cancelamentos aos participantes, como os cantores Karol Konká e Projota, que receberam muita rejeição e comentários de ódio após saírem do confinamento. Análogo a isso, há o cancelamento diário que ocorre em suma nas redes sociais, sofrido por figuras públicas ou não, com potencial de gerar diversos impactos psicológicos negativos. Tal ação ocorre principalmente pela ausência de empatia na sociedade contemporânea e a falta de debates acerca do assunto em questão.
Diante desse cenário, é inegável a participação da apatia pelo próximo para que exista uma cultura do cancelamento. Segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, a banalização do mal ocorre na inércia social em agir contra um mal social, com a justificativa de que aquilo é visto como algo normal. Desse modo, há no mundo atual uma população que é indiferente a essa mazela humana, não reflete ou age contra o ato de cancelar alguém, por conta desse tipo de ação ser normalizada, revelando principalmente a ausência de empatia nas relações sociais.
Ademais, por conta de tal banalização há uma falta de de discussão sobre o tema e seus impactos. De acordo com o filósofo francês, Michael Foucault, " O homem é uma construção bio, psico e social", assim, o pensaento coletivo faz parte da construção do pensamento individual, o levando a agir de acordo com tais convicções. Dessa forma, faz-se necessária a relaização de debates sobre tal assunto, informando e educando a população, além de quebrar com a ideia de que o cancelamento é algo comum e reparador de erros.
Portanto, fica claro que a apatia e a ausência de discussão colaboram para a fortificação da cultura do cancelamento na contemporaneidade. Faz-se necessária a realização de campanhas, incentivando as pessoas a serem mais empáticas, principalmente nas redes sociais, onde costumam disseminar palavras de ódio, e a realização de palestras em ambientes educativos, como escolas, cursos e faculdades, com filósofos e pedagogos participando como mediadores. Tais ações devem ser realizadas respectivamente pelos veículos midiáticos, com campanhas, comerciais e hastags, e pelas secretarias da educação de cada estado do país. Dessa forma, espera-se romper com a inércia social evidenciada por Hannah Arednt, e educar a população sobre os impactos do cancelamento.