Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 02/09/2021

Na série mexicana da Netflix “Control Z”, um misterioso hacker começa a divulgar segredos sobre os alunos de uma escola. Como consequência, muitos foram ridicularizados e outros chegaram a desenvolver comportamentos autodestrutivos. Apesar de ser uma ficção, a obra apresenta uma situação que tem se tornado recorrente na sociedade contemporânea: o julgamento em massa de pessoas, a “cultura do cancelamento”. Dito isso, é válido discutir sobre como essa conduta ocorre e suas sequelas negativas.

A priori, é fato que, cada vez mais cedo, estamos tendo acesso a internet. Segundo o filósofo Jean Baudrillard, desde a nossa juventude, nosso contato com o mundo se dá através de uma tela. Cultivamos amizades na web que nunca vimos em carne e osso, emocionamo-nos com pessoas que não existem em histórias que nunca aconteceram. Isso contribui para uma formação mais rápida de uma massa crítica sobre como as pessoas devem agir, falar e pensar. E, quando alguém comete um erro, ou apenas não corresponde as expectativas postas, ela é alvo de intensas ofensas e, automaticamente, cancelada.

Primordialmente, os comentários eram apenas de aviso e repreensão por atitudes “tóxicas”, porém, com o passar do tempo, os insultos passaram dos limites e se tornaram intensas represálias. Segundo pesquisas, 71% dos indivíduos cancelados tiveram a saúde mental abalada, com sintomas de depressão, ansiedade em relação a entrar na internet e paranoias constantes. O abuso de substâncias como o álcool, fumo e drogas também foi um dos efeitos. Posto isso, é válido discutir formas diminuir esses impactos negativos.

Em suma, são necessárias medidas mais rígidas por parte de plataformas de redes sociais, a fim de vetar discursos de ódio e comentários maliciosos. Porém, é importante também o direito à liberdade de expressão, por isso, críticas devem ser aceitas. Outra alternativa válida é o preparo emocional que pessoas públicas podem procurar ter, com ajuda de psicológos e outros profissionais na área de sáude mental. Acima de tudo, o principal é o respeito entre usuários, para uma convivência harmoniosa na internet.