Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 03/09/2021

No começo de 2021, a cantora de rap Karol Conká, após participação polêmica no Big Brother Brasil, sofreu com ataques, xingamentos, ameaças e com a perda de vários contratos: tudo isso como resultado de mais um processo de cancelamento. Esse tipo de ação coletiva de repreensão a uma determinada pessoa tem se tornado cada vez mais comum. O problema é que, embora a cultura do cancelamento tenha surgido para fins positivos, na realidade, ela é prejudicial, pois proporciona “linchamentos virtuais” e o sofrimento emocional de seres humanos.

A princípio, segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem deve basear a sua conduta no “Imperativo Categórico”, ou seja, nos princípios da ética e da moral. Sob essa ótica, é possível observar de que maneira a cultura do cancelamento é prejudicial. Isso porque, por mais que em seu cerne o processo de cancelamento tenha o intuito de promover uma espécie de justiça social, ela perde legitimidade ao dar origem a impiedosos “linchamentos virtuais”, nos quais o alvo das críticas é desrespeitado, atacado e violentado. Assim, esse processo contradiz o ensinamento do pensador.

Como consequência dessa violência virtual, inclusive, tem-se o sofrimento emocional das pessoas canceladas. Afinal, depois de serem atacadas, xingadas e ameaçadas  por uma multidão furiosa, a qual não esta disposta a lhes perdoar, nem a lhes ouvir, as vítimas do cancelamento precisam lidar com o peso da rejeição. Desse modo, por se dar em uma atmosfera de ódio, a cultura do cancelamento só confirma a “Teoria da Modernidade Líquida” do filósofo Zygmunt Bauman, segundo o qual a contemporaneidade é marcada pela falta de empatia e amor nas relações sociais.

Logo, é preciso adotar medidas para coibir a cultura do cancelamento. Para isso, é importante que a sociedade se mobilize para combater essas ações de cancelamento, por meio da realização de debates, em todos os meios sociais, sobre essas práticas e seus malefícios para a vida de um outro ser humano. Tudo isso com  o intuito de impedir “linchamentos virtuais” e criar uma atmosfera de maior empatia, na qual, caso um erro cometido por alguém precise ser apontado, isso possa ser realizado com respeito e a esse indivíduo possa ser dada a oportunidade de se retratar e melhorar.