Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 03/09/2021

O surgimento da internet nas últimas décadas, provocou um crescimento no fluxo de informações no mundo, além da rápida comunicação entre as pessoas. A partir dessa perspectiva, grupos sociais passaram a criticar posicionamentos preconceituosos expostos nas redes sociais, como forma de quebrar com conceitos enraizados de ignorância sobre determinado assunto, provocando reflexões na sociedade sobre determinados temas. Contudo, passou a existir uma “cultura do cancelamento”, a qual, promove ataques direcionados a um indivíduo, parando de consumir seu conteúdo e o criticando a todo instante. Dessa forma, é preciso debater sobre as consequências deste cancelamento, que vão desde a o desenvolvimento de distúrbios nas pessoas atacadas, além da banalização de temas sérios.

Em um primeiro aspecto, é necessário que se entenda a diferença entre repreender uma ação e promover discursos de ódio. A partir do momento que um ensinamento proferido a outro indivíduo se torna uma ofensa grave e atinge a saúde mental do outro, este não apresenta motivos para ter continuidade. Na distopia retratada pelo escritor George Orwell, “1984”, os seres humanos apresentam comportamento semelhante ao da realidade atual, reservando algum tempo de sua vida para manifestar ataques diante de uma tela. O resultado ao invés de ser a reflexão da pessoa que toma uma atitude politicamente incorreta, termina sendo o de sua exclusão social e comprometimento de sua saúde mental. Por isso, é indispensável que se analise a gravidade de mensagens publicadas online.

Sob outra ótica, certos assuntos passam a se resumir como o erro de algum indivíduo, ao invés de serem postos em discussão pela sociedade em geral. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, existe no mundo certa “Banalização do Mal”, a qual, faz com que os seres humanos tratem assuntos sérios como irrelevantes, dinâmica semelhante a que ocorre na internet, banalizando assuntos importantes, dando atenção somente a “cancelar” a pessoa que cometeu o erro. Outro aspecto que precisa ser destacado, é que esses indivíduos não têm a chance de se redimir, ficando resumidos a uma ação, quando na teoria, poderiam servir de ensinamento e exemplo do que não fazer por outros.

Portanto, é notória a gravidade do assunto, que pode ser solucionado a partir de algumas ações. Primeiramente, as empresas responsáveis pelas redes sociais devem restringir a propagação de mensagens de ódio, através da exclusão de mensagens postadas anteriormente, e até do congelamento temporário do usuário que infrigir essas regras. Isso contribuirá, de certa forma, para que menos discursos ofensivos espalhem-se rapidamente na internet. Além disso, as escolas devem debater sobre esse tema do cancelamento, e provocar a reflexão em cima de temas graves, para que não sejam tratados como irrelevantes. Quiçá, dessa forma, o cancelamento não será mais realidade.