Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 03/09/2021
A Constituição Federal de 1988 prevê, em um de seus artigos, que ninguém deve ser considerado culpado até que haja uma sentença penal condenatória. Entretanto, tal prerrogativa legal não se reverbera na prática, visto que a cultura do cancelamento, fenômeno em que uma pessoa é ejetada de uma posição de influência devido a atitudes, promove o discurso de ódio e lixamento nas redes, criando danos morais, sociais e mentais às pessoas canceladas, além da mídia propagar e influenciar a disseminação dessa causa negativa. Nesse sentido, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver tal inercial problemática.
Primeiramente, vale ressaltar que a cultura do cancelamento promove a propagação do discurso de ódio e de xingamentos nas redes sociais. Segundo o filósofo Michel Focault, as pessoas sabem aquilo que elas fazem, sabem por que fazem o que fazem, mas o que ignoram é o efeito produzido por aquilo que fazem. Através desse trecho, percebe-se que a cultura do cancelamento nas redes sociais influencia para a intolerância, a impaciência e a justiça com as próprias mãos. Isso ocorre devivo as pessoas usarem as redes sociais como um tipo de tribunal virtual, julgando e perseguindo um indivíduo por uma atitude consideravelmente errada pelos ‘‘juízes das redes’’. Com isso, as atitudes questionadas por essas pessoas, promove uma série de xingamentos, lixamentos e perseguições virtuais, além de ameaças e humilhação à vítima cancelada.
Outrossim, pode-se mencionar também a posição da mídia em relação a essa nova cultura. De acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão. Diante disso, torna-se evidente que a mídia influencia a propagação de ódio, não tomando medidas para diminuir a disseminação de xingamentos e julgamentos pela cultura do cancelamento, além de aderir e propagar o problema publicamente descutido.
Portanto, medidas são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. O Governo, responsável por coibir crimes, junto com a mídia, responsável pelo planejamento e estratégia da programação e veiculação de campanha publicitária, deve criar publicações, vídeos e animações acerca do assunto, por meio das redes sociais, a fim de explicar, orientar e mostrar os efeitos negativos da cultura do cancelamento na vida das pessoas, exterminando o seu foco e a sua propragação pelo mundo. Assim, o artigo da Carta Magma se tornará coerente e a cultura do cancelamento deixará de ser um problema no Brasil.