Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 04/09/2021
Na edição de 2021 do Big Brother Brasil, a celebridade Karol Conká foi amplamente odiada pelo público por causa das suas condutas insensatas com os demais participantes, o que a fez perder vários patrocínios, contratos de trabalho e ter sua vida devastada. De modo análogo ao acontecido com a participante é a realidade brasileira, na qual se observa inúmeros casos de pessoas excluídas- sobretudo por meio das redes sociais-, devido à atitudes reprováves, o que traz a tona o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade. Nesse sentido, faz-se necessário discutir a apropriação e consequente perda de essencia da manifestação, assim como analisar a falta de empatia em julgamentos equivocados.
Em primeiro lugar, se destaca que a cultura do cancelamento surge como uma forma de chamar a atenção para causas importantes da contemporaneidade: a justiça social e a preservação ambiental. Entretanto, como o ser humano sempre foi predisposto a julgar o outro e classificar tais condutas como moralista- segundo o pensador Luis Felipe Pondé-, ele apropriou-se dessa causa e modificou tal essencia, com o objetivo de apenas buscar excluir e descartar as pessoas não mais consideradas úteis. Dessa maneira, se nota que essa manifestação perdeu todo o seu fundamento e se transformou no cancelamento como propósito final,ou seja, é eliminada qualquer chance do cancelado entender seu erro e buscar uma evolução constante.
Ademais, convém destacar a falta de empatia da sociedade, pois, como a dinâmica das redes sociais é grande, casos de julgamento precipitado e sem embasamento podem trazer efeitos muito nocivos para o cancelado. Acerca dessa assertiva, enfatiza-se o caso nos EUA e massificadamente compartilhado no brasil, em 2020, no qual um americano foi acusado e injustamente cancelado por causa de um gesto equivocadamente considerado racista, o que o fez perder o emprego, ter sua família ameaçada e o seu histórico manchado. Esse exemplo que retrata bem como um movimento por justiça social pode ser injusto é praticado no Brasil, pois muitas pessoas buscam manchar a imagem daqueles não compactuantes com o seu pensamento, como foi o caso do apresentador Danilo Gentili, em 2020.
Portanto, cabe ao MEC, em parceria com o Ministério da Cidadania, dissolver as ideias e contradições da cultura do cancelamento. Para isso, eles devem promover campanhas e debates nas redes digitais-as quais serão ministradas por psicólogos, com a participação de cancelados, os quais irão expor os efeitos nocivos do seu cancelamento-, com o objetivo de buscar mais empatia da sociedade e, assim, evitar casos repugnantes de linchamento sem a oportunidade da pessoa aprender com o seu erro, como aconteceu com Karol conká.