Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 06/09/2021

No musical Glee, da Fox Company, devido à contradições e opiniões diferentes os personagens eram alvos de “cancelamento”, ou seja, eram excluídos do grupo que frequentavam ou dos projetos que faziam parte. Ao sair da ficção, e adentrar na realidade, percebe-se que a “cultura do cancelamento” é comum entre jovens e, principamente, celebridades, basta um mau posicionamento ou algo dito na internet que não seja aceito- como acontecia na série americana. Diante disso, é importante debater como a pessoa alvo do cancelamento é prejudicada, bem como o efeito dessa prática para sociedade.

Nesse sentido, é fundamental entender que ser vítima do cancelamento pode acarretar consequências e traumas psicológicos para o indivíduo. Isso porque a população, em especial a cibernética, exige bons posionamentos e representatividade das figuras públicas, que são os principais alvos. Assim, como estudado pelo filósofo Byung-Chul Han, a “Sociedade da Autoperformace” está sempre em busca de produzir e satisfazer o meio em que vive, mas quando não alcança esse objetivo o trauma pode ser inevitável. Isso acontece com frequência nas mídias e redes sociais, pois a maioria ganha voz e com compartilhamentos a repercurssão é maior.

Além disso, observa-se que o “cancelamento” afeta a sociedade, pois o fator de não poder errar afeta a liberdade de expressão das pessoas. Diante disso, os indivíduos que preferem silenciar para não correr o risco de serem “massacrados” pelos fakes- perfis anônimos que promovem más repercussões na internet. Tendo em vista que a Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 5º, garante a livre manifestação do pensamento, ou seja, embora que o posicionamento não seja coerente, com o da maioria, o direito precisa ser respeitado.

Portanto, é notória a necessidade de debater sobre a cultura do cancelamento e sua atuação na  sociedade brasileira. Assim, cabe ao Governo Federal, mais especificamente o Ministério das Comunicações em parceria com a Imprensa Socialmente Engajada, por meio das mídias de amplo alcance como jornais informar sobre a importância de respeitar os direitos do cidadão. Isso acontecerá por meio de um Projeto Nacional de Incentivo à Empatia, onde as pessoas serão induzidas a repensar antes de “excluir” as pessoas, por terem cometido algum erro. Afinal, é chegada a hora de mudar situações como as de Glee e aprender a ser tolerânte com o próximo.