Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 06/09/2021
A obra “A Era do Vazio”, do pensador Gilles Lipovetsky, discute sobre o individualismo da sociedade contemporânea e afirma que a espécie humana dos tempos atuais é marcada pela carência de sentido além da vida individual. Desse modo, análoga a obra acerca do individualismo no corpo social moderno está a cultura do cancelamento. Diante disso, vale a discussão a respeito do ideal das pessoas perfeita e marginalização das que cometeram um equívoco, bem como o desenvolvimento de problemas psíquicos decorrente dessa estigmatização.
Em primeiro plano, vale ressaltar que o ideal da perfeição inalcançável e a hipocrisia humana contribuem para a intensificação da cultura do cancelamento, haja vista que por uma atitude não muito agradável tanto no mundo real quanto no virtual ou algum comportamento ofensivo no passado, constituem fatores que resultam no cancelamento- espécie de exclusão do indivíduo na sociedade. Em verdade a isso, está o conceito acerca da “Modernidade Líquida”, do filósofo Zygmunt Bauman, o qual afirma que a sociedade atual é marcada pelo enfraquecimento das relações interpessoais. Sob tal perspectiva, nota-se a exclusão social dos cidadãos por cometerem um erro em grande parte das vezes nem tão relevante.
Outrossim, a extrema marginalização das pessoas que cometeram algum erro pode gerar doenças psíquicas, porque como afirmado por Guy Debord, o espetáculo apresentado nas mídias socias é capaz de moldar a vida dos indivíduos e ser posto a margem do espetáculo gera um sentimento de inferioridade. Nesse víeis, os cidadãos que são estigmatizados no âmbito social desenvolvem sentimentos de inferioridade e incapacidade, entretanto situações como essa são corriqueiras para as pessoas que não se encaixam no espetáculo midiático. Tal situação vai de encontro ao pensamento do filosofo Voltaire, o qual afirma que a tolerância é a consequência necessária da percepção que somos falíveis.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas para disseminar o atendimento médico humanizado. Incumbe-se ao Governo Federal, adjunto ao Ministério da Cidadania e as Instituições de ensino, destinar verbas – fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União-, para a administração e realização de palestras educativas acerca da importância do respeito ao próximo e da tolerância. Feito isso, forjar-se-á uma sociedade pautada na compreensão e do bom convívio social.