Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 04/09/2021

Michel Foucault, na obra “Vigiar e Punir”, fala que os cidadãos são constantemente vigiados pela sociedade e punidos ou corrigidos segundo os padrões dela. De forma símile, na contemporaneidade,  com o advento da internet e a exposição excessiva às redes sociais, tal hábito histórico passou a ocorrer nos espaços virtuais e tomou proporções maiores graças a cultura do cancelamento, a qual promove o julgamento intensivo de internautas contra ações deploráveis segundo a massa que são realizadas por figuras públicas. Nessa perspectiva, é imprescindível acentuar as problemáticas acerca do cancelamento e como ela interfere na integridade e nos direitos dos civis.

Precipuamente, é perceptível que, por parte do tecido social não possuir um senso crítico sobre as informações que o alcança, a cultura do cancelamento estimula o ódio em massa direcionado a um único perfil e a desumanização dele. Sob esse viés, Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, diz que o homem ver o mundo a partir de suas representações, mas não pela realidade em si. Por analogia, nas redes sociais não é diferente, visto que o usuário expõe a melhor representação de si mesmo, logo, conclui-se que os conflitos cibernéticos podem não ser verídicos ou serem manipulados. De qualquer modo, o linchamento virtual impede que a vítima se explique antes de ser perseguida, atacada e ameaçada, assim, é nítido que os usuários perdem, gradativamente, a capacidade de vincular o perfil à uma pessoa com sonhos, família e carreira, uma vez que são negligentes com suas palavras.

Ademais, a internet é um espaço sem regras, tanto que é onde há maior disseminação do discurso de ódio, isto é, emissão deliberada de opiniões agressivas, pejorativas e preconceituosas. Com efeito, a comunidade cibernética usa o anonimato e a liberdade de expressão para denegrir a reputação não só de influenciadores e de famosos, mas também de perfis com pouca visibilidade. À vista disso, o filósofo utilitarista John Stuart afirma que o cidadão tem a liberdade de fazer o que quiser, desde que não prejudique os demais. Por conseguinte, depreende-se que, apesar dos internautas terem o direito de expressar suas opiniões nas redes, as concepções que ferem a moral do outro são formas de violência.

Infere-se, portanto, que a cultura do cancelamento tem impactos negativos na sociedade, a qual exercita a indiferença e a opressão. Desse modo, o Estado deve criar propagandas e publicidades, mediante a parceria entre o governo e os meios de comunicação televisivos e sociais, como canais abertos, Instagram, Twitter, Tik Tok, que exponham a experiência de pessoas que passaram pelas mazelas do cancelamento, a fim de humanizar os perfis que já sofreram com esse hábito. Outrossim, todos os aplicativos e sites de interação deve ter uma aba de denúncia, na qual serão notificadas as ameaças e os ataques, para excluir a conta do opressor ou encaminhar seus dados para a polícia.