Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 05/09/2021
Em um episódio da série britânica “Black Mirror”, as pessoas julgavam as ações da sociedade através da própria opinião, tendo como certo ou errado apenas o momento. Fora da ficção, a realidade não é diferente, a sociedade está “cancelando” indivíduos pelos seus atos. Esse cenário nefasto ocorre em razão da falta de empatia e da repressão. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves para consolidação da liberdade de expressão sem o cancelamento.
Em primeira análise, vale destacar que no reality show “Big Brother Brasil 2021”, a participante Karol Conká foi vítima do cancelamento, perdendo inúmeros seguidores e sendo alvo de críticas. Fora das telas, a situação é muito observada na sociedade brasileira, uma vez que a falta de empatia toma conta dos usuários das redes sociais, visto que costumam cancelar todas as pessoas que acham um comentário, atitude erradas, disseminando xingamentos e julgamentos. Esse panorama lamentável acontece porque a maioria da população, negligencia estimular o diálogo com indivíduos “errados” e já partem para agressões, mas não pensam que essa repressão atua negativamente no psicológico das vítimas, como por exemplo: ansiedade, depressão e até suicídio. Evidencia-se, portanto, que a falta de empatia relaciona-se com os problemas psicológicos cometidos pela sociedade.
Ademais, vale ressaltar que no livro “Revolução dos bichos”, de George Orwell, aborda animais que maldiziam o governo, mas depois apareciam mortos, deixando os demais terem medo de expor as opiniões. Nesse viés, embora exista a liberdade de expressão, as pessoas são reprimidas por falarem o que pensam, gerando exclusão e segregando a sociedade por parte da mídia, pessoas e do governo julgando o certo e errado e cancelando pessoas que não seguem esse padrão. Desse modo, constata-se que a polarização de pensamentos da população afeta os indivíduos julgados por suas ações.
Verifica-se, então, a necessidade de cessar a cultura do cancelamento e da falta de empatia dos cidadãos no mundo contemporâneo. Para isso, faz-se imprescindível que a mídia juntamente com o Ministério da educação, por intermédio de minicursos, instrua a população, especialmente os que utilizam das redes sociais, a elucidar a importância de valorizar a liberdade de expressão e a saúde mental das outras pessoas para ampliação do conhecimento, a fim de estimular os usuários a uma boa utilização da internet e da conversa para a mudança de atitudes. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada da efetivação de conhecimentos e da consciência.