Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 07/09/2021

No ano de 2021, 10 artistas brasileiros participaram de um reality show famoso na globo, “Big Brother Brasil” que é transmitido 24 horas por dia. A edição foi marcada pelo cancelamento que os participantes sofreram em suas redes sociais, que saíram de lá com a carreira arruinada, o exemplo disso é a cantora de rap Karol Conká, que bateu recorde de rejeição do programa, ela contou em entrevistas que recebia ameaças de morte na internet e que não conseguia sair de casa. Em vista disso, é notório o quanto isso trás males para a saúde mental do “cancelado” e um grande prejuízo social.

Em primeira análise, a tentativa de denúncias contra vivências e atitudes que ferem os direitos humanos é necessária, mas com o passar do tempo se tornou uma ferramenta de exclusão social, pessoas que trabalham com a imagem são os maiores alvos dessa prática por tornarem suas vidas públicas nas redes sociais, e quando suas opiniões são contrárias à dos “juíses” da internet, são cancelados por esses erros momentâneos.

Sabe-se que o sociólogo Pierre Bourdie, que trás o pensamento do Habitus, um sistema onde os comportamentos são neutralizados, por acontecerem de forma anterior e exterior a quem as comete. Sendo assim, o lichamento virtual por parte da população ocorre sem a ponderação das consequências negativas que tais opiniões podem gerar para um individuo, afetando diretamente a saúde mental das pessoas. Tendo em vista um jovem de 16 anos, chamado Lucas Santos foi alvo de comentários maldosos após publicar um vídeo na rede social “tiktok”, e cometeu suícidio pois não soube lidar com todo o cancelamento que sofreu.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Assim, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre a cultura do cancelamento. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto.