Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 06/09/2021
Tribunal da internet: todo mundo é culpado até que se prove o contrário
“Argh! Estou farto de semideuses”. Esse é um dos versos do “Poema em Linha Reta” de Fernando Pessoa, o qual discute a vida de aparências, que, nos dias atuais, permeia a internet. Em decorrência desse ideal de perfeição, pessoas que erram nas mídias sociais são, instantaneamente, “canceladas”. Essa é uma realidade perigosa, pois a rapidez do processo provoca má interpretações, para além do menosprezo para com a capacidade humana de mudança.
Em primeira análise, a cultura do cancelamento é caracterizada por sua instantaneidade, que abre precedentes para interpretações errôneas. Esse foi o caso do trabalhador norte americado Cafferty que perdeu o emprego após ser flagrado fazendo, supostamente, um ato de supremacia branca enquanto estava, na realidade, estalando os dedos. Ações como essa são frequentes e impactam diretamente a vida pessoal de pessoas comuns. Portanto, a necessidade da busca por “justiça” na internet, utiliza-se de métodos injustos.
Em paralelo, o linchamento virtual -que vem acompanhado com a disseminação gratuita de ódio- desconsidera a capacidade humana de mudar, pois tenta “excluir”, como se faz com aplicativos, vidas. Essa situação, como debatido pela empresária Lara Nesteruk, é extremamente perigosa, pois seres humanos não são perfeitos e estão em constante mudança. Assim, o desprezo dos possíveis ensinamentos que falhas podem propiciar a uma pessoa, estimula a estagnação moral de indivíduos.
Dessarte, é imprescindível que a cultura do cancelamento seja freada. Logo, é papel do Ministério da Educação promover a humanização do meio digital, por meio de debates e palestras em escolas que estimulem os jovens a analisarem e ponderarem essas situações antes de lincharem virtualmente pessoas, para que indivíduos possam aprender com seus erros, sem que o ódio seja, gratuitamente, disseminado.