Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 06/09/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos visa garantir o direito e a dignidade a todos, e dentre eles está a proibição de ataque à honra e reputação de qualquer indivíduo. Todavia, na sociedade contemporânea, a cultura do cancelamento está ficando cada dia mais alarmante. Portanto, nota-se que gatilhos emocionais e a falta de empatia e consciência estão atrelados a esse entrave social.
A princípio, percebe-se que a cultura do cancelamento pode danificar a saúde psicológica dos afetados, pois muitos perdem a moral, o prestígio e o carinho dos fãs, no caso de famosos. Baseando-se nesse cenário, o dorama asiático True Beauty, mostra o cancelamento de um dos personagens após ser alvo de uma fake news, acusado de praticar bullying na época escolar, e em consequência desses atos ele comete suicídio. Nesse sentido, fora do cenário ficcional, é notório o quanto prejudicial e perigoso são os haters na internet, pois muitos sofrem ameaças e devolvem transtornos mentais, podendo causar ações como a da personagem citada.
Ademais, evidencia-se que a falta de empatia com as pessoas está diretamente ligada a essa mazela. Nesse viés, segundo a Teoria Determinista do sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar e de agir, caracterizada por coercitividade e por generalidade. Nesse contexto, pela internet ser possível o anonimato, vários usuários se sentem à vontade para disseminação de ódio e para cancelarem as pessoas, muitas vezes distorcendo falas ou simplesmente interpretando como querem. Desse modo, nota-se a coerência do pensamento do sociólogo, evidenciando que tais atos não são pensados de forma empática e coletiva.
Portanto, a cultura do cancelamento precisa ser extinta. Nesse sentido, faz-se necessário que o Estado, por intermédio do Ministério da Educação, realize campanhas de conscientização por meio de aulas e palestras ministradas por profissionais da psicologia e de crimes cibernéticos, a respeito da importância da ruptura da cultura do cancelamento e os danos que ela pode causar a saúde humana, com o intuito de mitigar discursos de ódio e gerar maior empatia dos cidadãos nesta pauta. Nesse âmbito, o Estado, via Secretaria Especial de Cultura, deve realizar também, iniciativas contribuintes para resolução dessa mazela, mediante ficcionais envolvidos, como filmes, novelas e revistas na mídia televisiva e publicitária, com o intuito de conscientizar os cidadãos sobre os efeitos dos haters na internet, para gradativamente alcançar uma maior empatia na sociedade brasileira. Assim, assegurando os direitos garantidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.