Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 06/09/2021

O escritor Osita Nwanevu, sugere um entendimento mundano para compreender o verdadeiro impacto da cultura do cancelamento, segundo ele, deve-se enxergá-la como expressões públicas e corriqueiras de desagrado, manifestadas por pessoas comuns em novas plataformas. Nessa perspectiva, nota-se que essas manifestações de opiniões, muitas vezes de insatisfação, podem trazer problemas para quem é repudiado na internet. Dito isso, é preciso entender como tal ação se tornou tão forte na sociedade contemporânea e como ela afeta a vida de muitos indivíduos.

Primeiramente, o cancelamento de figuras públicas nas redes sociais já é algo tão “normal” para os internautas, que não se surpreendem quando uma celebridade é cancelada na internet. Analogamente a isso, vê-se essa ideia na teoria da Banalização do Mal, da filófosa Hannah Arendt, na qual ela afirma que existe um sistema totalitarista que faz com que o mal aconteça, sem que as pessoas percebam que estão sendo más. Logo, constata-se as pessoas normalizaram esse ato e o praticam, algumas vezes, sem saber o que estão fazendo.

Por conseguinte, cabe analisar como essa cultura do cancelamento afeta a vida de muitos indivíduos. Nessa conjuntura, um exemplo é a artista Luisa Sonza, que sofreu muitos cancelamentos por ser acusada pelos internautas de ter traído o ex-marido Whindersson Nunes. As acusações contra ela foram tantas, que a cantora teve que “sair” das redes sociais por um tempo para não se tornar mais prejudicial à sua saúde, pois ela já estava sofrendo com crises de ansiedade. Com isso, percebe-se o quão tóxico o ambiente fica para os que sofrem esses ataques.

Portanto, para minimizar os efeitos da cultura do cancelamento, as mídias, principalmente as redes sociais, como instituições de alta relevância para o país, devem evitar a propagação de comentários de ódio, de preconceito de todos os tipos, por meio do bloqueio de opiniões impróprias e também da retirada da opção de comentar para quem insistir em espalhar comentários maldosos, para que essa “cultura” seja cancelada.